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A taxa Selic subiu e vai subir mais

Vários comentários foram feitos após a elevação dos juros sobre investimentos, mas foram raros os que defenderam que investir é algo amplo

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00

Nestas últimas semanas, com a subida da Selic, houve um grande volume de comentários, vídeos, podcasts e debates sobre investimentos. Como sempre ocorre nesses momentos, algumas manifestações foram radicais e, de certa maneira, maniqueístas. Uma parte decretando a saída da renda variável e favorecendo a volta às aplicações em renda fixa. Ocorreram opiniões fechadas e com manifestações de amores por determinada classe de ativo.

No entanto, foram raros os posicionamentos defendendo que investir é algo mais amplo, que deve atingir objetivos próprios do investidor e que na sua base está a diversificação. Assim, uma carteira equilibrada deve manter renda fixa e renda variável. Obviamente, dependendo do grau de aversão a risco do investidor e do cenário econômico, as participações de cada classe de ativos devem variar, da mesma forma que dentro de cada classe a distribuição entre os ativos deve variar conforme o momento. 

Tendo essas condições em mente, algumas observações pragmáticas podem ser feitas. Mesmo com a subida da taxa básica de juros, as aplicações em renda fixa, de forma geral, estão apresentando rentabilidade real negativa. Afinal a inflação prevista para 2021 está em 4,75%, ante Selic de 2,75% ao ano. Ainda em renda fixa, os títulos do Tesouro Direto estão oferecendo ganhos líquidos em torno de 3% ao ano. Apelidar esse tipo de ativo de “perda fixa” é não ter compreensão de mercado e da utilidade e possibilidade de investimentos para grande parcela da população. A renda variável, por seu lado, não terá um período fácil por conta da falta de engate da nossa economia.

No entanto, há boas oportunidades em fundos multimercado, sempre lembrando de considerar as taxas cobradas. Os ETFs de fundos imobiliários, também, podem ser interessantes para compor a carteira. No investimento em ações têm se destacado as empresas de comércio eletrônico e commodities. 

Aqueles que estão atentos ao mercado internacional devem encontrar oportunidades em metais, madeira e outras commodities, além das empresas de tecnologia. Mas, como investir diretamente no exterior pode não ser atraente para muita gente, a alternativa de investir em empresas estrangeiras é por meio dos BDRs que estão com acesso mais flexibilizado na B3. Esta alternativa pode ser mais simples e barata para certo grupo de investidores, mas lembrando de que não afasta o risco cambial. 

A Bolsa de Valores tem atraído muitos novos investidores. Entre 2018 e 2021, o crescimento de pessoas físicas foi superior a 325%, atingindo a marca de 3,5 milhões de investidores. O grupo de jovens até 35 anos representa o maior contingente, com mais de 44% do total. De qualquer maneira, a dica é o investidor dedicar-se ao acompanhamento constante da sua carteira, mantendo-a em linha com os seus objetivos. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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