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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

A tendência é que a inflação permaneça bastante pressionada

Em junho, o IPCA subiu 0,40%, o suficiente para romper o teto da meta (6,5%) no resultado acumulado em 12 meses, chegando a 6,52%. O grande destaque foi a elevação na categoria Hotel (25,33%), sob um claro efeito Copa e adicionando, sozinho, 0,11 ponto porcentual. Se tivesse repetido o valor já elevado do IPCA-15 (de variação de 4,15%), a inflação de junho seria de 0,31%.

Thaís M. Zara, Leonardo F. Costa, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2014 | 02h04

À parte o efeito Copa, houve boas notícias, como a deflação em Alimentação, de 0,11%, a primeira desde julho de 2013 (de -0,33%). Movimento em grande parte sazonal, porém começando a refletir o recuo dos preços internacionais das commodities agrícolas. Ainda no rol das boas notícias, a taxa de difusão (porcentagem de itens que registraram alta de preço no mês) desacelerou de 66,8% para 61,4%.

Apesar do tom mais otimista trazido pela alimentação e pelo caráter temporário do efeito Copa, a inflação permanece bastante pressionada. A média dos núcleos voltou a acelerar de 0,54% para 0,61%, ao mesmo tempo em que a variação dos preços livres passou de 0,41% para 0,45% (em 12 meses, foi de 7,04% para 7,28%, muito acima do teto da meta). O que ainda segura a inflação é o grupo dos preços administrados, com inflação em 12 meses acumulada em 3,93%. Com o início da recomposição das tarifas de energia elétrica - com o aumento de 18,06% nas contas de São Paulo - é apenas questão de tempo para que a inflação total se aproxime de 7%. Após atingir esse patamar, deve recuar, situando-se ligeiramente abaixo do teto da meta no fim do ano.

De maneira geral, temos um importante realinhamento dos preços relativos com o favorecimento dos serviços e, ao mesmo tempo, o realinhamento progressivo dos preços administrados. Some-se a isso um passado recente de hiperinflação, cujos escombros em forma de indexação ainda persistem. Não é à toa que o Copom reconhece que a inflação vai subir antes de recuar, porém, apesar da inflação pressionada, dada a forte desaceleração da atividade econômica, o Banco Central deve manter a taxa de juros em 11% até o fim do ano, pelo menos.

*Thaís M. Zara é economista-chefe da Rosenberg Associados, mestre em teoria econômica pela USP

Leonardo F. Costa é economista da Rosenberg Associados, é economista pela USP

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