A última esperança das lojas européias

Vendas de Natal devem definir quem sobreviverá à crise

Jamil Chade e Andrei Neto, Genebra/Paris, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Nos últimos momentos antes do dia 25 de dezembro, a principal rua do comércio de Genebra está lotada de suíços procurando presentes de Natal, em meio a temperaturas negativas. As pessoas continuam comprando. Mas, neste ano, a busca em toda a Europa é pelos itens mais baratos. Estudos obtidos pelo Estado apontam que o Natal na Europa será bem diferente dos últimos anos. A crise fará com que os europeus gastem menos, o que será a primeira queda no consumo em dez anos. Com isso, as promoções se antecipam. Lojas já entraram em liquidação para queimar estoques. "Estamos oferecendo descontos de 50% para quase todos nossos produtos", afirmou um representante da loja H&M, uma das maiores da Europa. A Benetton também oferece preços 30% abaixo do que esperava estabelecer para o Natal. Para varejistas, a esperança é de que os próximos quatro dias sejam diferentes do que vem ocorrendo desde o início de dezembro. "O movimento é grande, mas as compras são pequenas", afirmou Carlos Santos, um espanhol que trabalha em uma loja de sapatos em Genebra. "Decidimos que é melhor vender por um preço mais baixo que não vender", disse. "Minha esperança é de que as pessoas continuem tendo seus corações abertos e dêem presentes neste Natal, mesmo que sejam presentes mais baratos", afirmou Caroline Dupont, comerciante de artesanato no centro de Genebra.Um estudo feito pela Deloitte na Europa concluiu que o Natal será "frugal": 40% dos entrevistados em 12 países planejam gastar menos e 60% acreditam que terão um poder de compra menor em 2009. "2008 pode ver uma mudança significativa nos gastos das famílias no Natal", afirmou a Deloitte. "O comércio pode esperar por vendas mais baixas." No Reino Unido, a Deloitte estima que cada família gastará 7% a menos que em 2007, cerca de US$ 1 mil em presentes, festas e viagem. Diante da crise de liquidez, o estudo também mostra que a maioria dos ingleses prefeririam ter seu presente em forma de dinheiro.Na Espanha, um dos países mais afetados pela crise, a estimativa é de que cada família gastará cerca de 910 no período de festas, quase 5% a menos que em 2007. Para a diretora de Indústria e Distribuição da Deloitte na Espanha, Victoria Larroy, essa será a primeira vez que o país sofrerá uma queda no consumo desde que a empresa começou a avaliar os gastos da população no Natal.Na Alemanha, 60% dos entrevistados vão gastar menos, a maior taxa na Europa. Na Suíça, a queda no consumo é estimada em 7,7%. Para a Confederação da Indústria Britânica, as vendas serão as piores dos últimos 25 anos.Paris ainda mantém esperanças no impulso consumista de última hora. Entretanto, caso o consumidor mantenha o ritmo de compras e o valor que vem gastando até aqui, as vendas do comércio na França cairão em torno de 10%. Crianças não devem ficar sem presentes. Entretanto, lojas que vendem brinquedinhos de adultos, como automóveis, jóias e roupas de luxo serão as mais prejudicadas pela recessão .

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