Ronaldo Schemidt/AFP
Ronaldo Schemidt/AFP

A vacina que une o Brasil é a mesma que vai ajudar na retomada

A recuperação econômica será consequência de decisões tomadas em favor da vida

Claudio Coutinho*, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 04h00

Lideranças de todo o mundo concentram-se neste momento em um único propósito: a retomada econômica aliada à preservação da vida. Com o cenário imposto pela pandemia de covid-19, boa parte dos gestores está convicta de que só existe uma saída: a vacinação em massa contra a doença. O Reino Unido, que já imunizou metade da população adulta, ensaia uma flexibilização e reduz drasticamente o número de óbitos. Se há um ponto de partida para aquecer negócios e voltar a crescer, esse ponto é a segurança sanitária. 

A sociedade brasileira anseia por movimentos de esperança. Basta observar a reação positiva às boas notícias que vêm do agro, como a supersafra de soja no Rio Grande do Sul, que deve passar de 20 milhões de toneladas. O sucesso do setor primário simboliza mais dinheiro girando e traz um novo ânimo para o mercado. Tanto que estamos investindo em sustentabilidade, em redução da emissão de carbono e em energias renováveis para melhorar o rendimento do produtor no campo.

A vacina funciona da mesma forma. É a resposta que todos aguardam para reabertura de negócios, geração de novos postos de trabalho, disponibilidade de leitos, retorno do ensino presencial e, inclusive, para novos investimentos. E, enquanto não há doses disponíveis para todos no País, a missão dos bancos e de demais setores da sociedade é atuar na prevenção. É garantir que o cotidiano, dentro do possível, continue seu rumo – com segurança, protocolos sanitários e testagem. 

Em meio à pandemia, não há salvação individual. O resultado positivo passa por mudanças coletivas de comportamento e de cultura – e que, mesmo no futuro, deverão ser mantidas. Uma das saídas encontradas pelo setor financeiro é a digitalização, essencial para que se trabalhe com proteção a clientes, parceiros e colaboradores. O atendimento por canais digitais dá suporte à manutenção da economia em meio às restrições do modelo de distanciamento social. O Banrisul, por exemplo, registrou 360 milhões de acessos no formato digital em 2020 – isto é, 1 milhão de brasileiros atendidos por dia, em média, sem qualquer risco de contaminação.

Dentro desse esforço, também cabe citar o Pix, que começou a operar em novembro, em meio à crise. Pequenos e médios negócios se beneficiam muito com a integração dessa ferramenta às redes de pagamento. O empreendedor precisa desse estímulo, que representa a sinalização de que o seu esforço está sendo notado em um período de incertezas. Nesse sentido, assim como o Banrisul, bancos têm concedido taxa zero a empresas nos primeiros meses.

Essa forma de enxergar o cenário reforça o papel social que as instituições financeiras têm. Não há números se não existirem as pessoas. Com essa visão, aliada à postura inovadora e ao planejamento do futuro, é possível contribuir rumo a uma economia mais dinâmica. E aqui cabe ressaltar a força das parcerias, especialmente na área da ciência, da pesquisa. Se a vacinação no Brasil ainda não está no patamar ideal, um caminho viável é o investimento na testagem. Ampliar e acelerar o diagnóstico ajuda a reduzir o contágio e, consequentemente, os gargalos nas filas por UTIs. Por isso, fizemos parcerias com universidades federais, para que laboratórios e hospitais reforçassem a capacidade de testar mais pessoas.

A recuperação econômica será consequência das decisões tomadas em favor da vida. O País precisa convergir, com segurança institucional e jurídica, sob o pilar da responsabilidade fiscal – e com pessoas seguras e protegidas. As instituições financeiras fazem parte desse movimento. O mercado voltará a confiar no potencial do Brasil e será possível abrir novas portas para investimentos quando nossa sociedade puder voltar à rotina, sem riscos e com proteção.

*PRESIDENTE DO BANRISUL

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