A Vale ainda não entrou na produção de aço, felizmente

O ex-presidente da Vale do Rio Doce perdeu seu emprego por não atender aos pedidos do ex-presidente Lula de instalar uma usina siderúrgica para produzir aço, que tem maior valor adicionado do que o minério de ferro. Com o novo presidente, a Vale continua procurando um sócio para a Cia. Siderúrgica de Ubu (CSU) que pretende instalar no Espírito Santo.

, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

Até agora, não se encontrou um grupo interessado no projeto, que no momento não apresenta grande perspectiva de lucros. Ao contrário, a Aços Laminados do Pará (Alpa) deve iniciar suas obras até o fim do ano.

O contraste entre os dois projetos que contam com a colaboração da mineradora decorre da situação que prevalece no mercado internacional.

Há um déficit de minério de ferro no mundo que deve se prolongar até 2015, pelo menos, levando em conta a demanda atual e os projetos de novas minas. Já a produção de aço não cessa de crescer. Segundo a Associação Mundial do Aço, a produção no primeiro semestre do ano foi de 757,8 milhões de toneladas, acusando crescimento de 7,6%. Essa produção é dominada pela China, que produziu em junho 59,9 milhões de toneladas, com um aumento de 2 milhões de toneladas, mês em que a produção brasileira foi de 2,962 milhões de toneladas. A capacidade de produção mundial é de 82,8%, porém mal distribuída.

A vantagem de que o Brasil desfruta é a de abundância de minério de ferro em seu próprio território, o que lhe permite economizar no transporte - vantagem que, no entanto, por causa do uso de navios gigantescos, se tem reduzido muito nos últimos anos, especialmente quando esses navios podem retornar transportando petróleo.

No primeiro semestre, nossas exportações de minério de ferro somaram US$ 18,379 bilhões, representando 15,5% do total das exportações; a quantidade exportada (média diária) cresceu 14,8% e o preço, 77,3%. No caso dos semimanufaturados de ferro e aço, os valores foram, respectivamente, de 32,8% e de 29,1%, e para os laminados, de 23,3% e de 29,5%.

Enquanto, no caso do minério, a situação é de disputa cerrada entre os consumidores para obtê-lo, no caso dos produtos de ferro e aço o que existe é uma grande concorrência entre os exportadores, na qual o Brasil não desfruta da melhor condição. Estamos distantes dos grandes mercados consumidores e enfrentamos condições financeiras ruins para investir, além de termos um custo muito elevado da energia. Dispondo das maiores jazidas de minério, praticamente inesgotáveis, não podemos aumentar uma produção antieconômica de aço.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.