Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Fábio Alves
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A vez dos otimistas

Aumentam as projeções de um crescimento de 4% ou mais da economia em 2021

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 04h00

Depois do desempenho melhor do que o esperado da atividade econômica no terceiro trimestre deste ano, não somente mais analistas passaram a prever uma queda menor do PIB brasileiro em 2020, como também aumentaram as projeções de um crescimento de 4% ou mais da economia em 2021.

Por enquanto, a mediana das estimativas para o PIB de 2021, segundo pesquisa Focus, do Banco Central, aponta para crescimento de 3,31%. Irá o consenso das apostas caminhar para uma expansão mais acelerada da economia brasileira em 2021 ou os mais otimistas serão forçados a rever para baixo suas projeções?

Esses otimistas, aliás, dizem que a melhora das estimativas não foi em razão apenas do efeito do carrego estatístico de desempenho mais forte esperado para o terceiro trimestre, após a divulgação pelo BC do seu Índice de Atividade (IBC-Br) de setembro, que subiu 1,29% ante agosto, já desconsiderando a influência de fatores sazonais. Com isso, o IBC-Br acumulou alta de 9,47% no terceiro trimestre em comparação com os três meses anteriores.

Os analistas do banco BV e do Itaú projetam um crescimento de 4,0% em 2021. O Credit Suisse prevê uma expansão de 4,1%. E os economistas do banco Safra estimam um salto de 4,5% do PIB no ano que vem.

Se, de um lado, a velocidade da recuperação da atividade surpreendeu positivamente os analistas no terceiro trimestre, de outro já está embutida nas expectativas uma perda de fôlego no quarto trimestre.

Isso devido à redução no valor do auxílio emergencial, o que poderá conter o impulso para as vendas do comércio, por exemplo. A redução de R$ 600 para R$ 300 no valor do auxílio emergencial resultará em queda de R$ 24 bilhões na massa ampliada de renda disponível no quarto trimestre, nos cálculos dos economistas do banco Safra.

O governo ainda não anunciou se vai prorrogar o auxílio emergencial para os três primeiros meses de 2021, adotar um novo programa de transferência de renda ou simplesmente ampliar o Bolsa Família. Segue, portanto, a incerteza sobre se o consumo das famílias poderá ser afetado também no início do ano que vem.

O que sustenta as projeções para 2021 dos mais otimistas, entre outros motivos, é o impulso dado à economia, em particular ao crédito, do elevado grau de estímulo monetário injetado pelo BC, que reduziu os juros básicos para 2,0% e sinalizou que deve manter essa taxa por um período prolongado.

Além disso, as notícias animadoras de vacinas contra a covid-19 melhoraram as expectativas em relação ao desempenho da economia mundial, compensando os temores de que uma segunda onda da pandemia vai afetar negativamente o PIB de vários países, em especial da zona do euro, no quarto trimestre.

A normalização das cadeias mundiais de produção, em razão da chegada de vacinas contra a covid-19, reforçará o PIB global do lado da oferta, beneficiando o Brasil. Assim, é unânime a visão de que o impulso externo, com a aceleração da economia mundial, vai garantir o crescimento do PIB brasileiro em 2021.

Mas a dúvida é se o Brasil aproveitará esse vento a favor ou fatores domésticos negativos afetarão a atividade, com o PIB crescendo menos do que o de outros países. O banco Goldman Sachs, por exemplo, projeta expansão de 5,3% do PIB dos EUA em 2021, enquanto o consenso das estimativas é de alta de 4,0%. Ou seja, a questão agora, do ponto de vista dos investidores globais, não é o número absoluto, mas a comparação relativa do crescimento brasileiro.

É aí que entra o risco fiscal. Se o governo e o Congresso não respeitarem o teto de gastos na aprovação do Orçamento de 2021, a economia brasileira será afetada negativamente pelo contágio financeiro. Isto é, se a credibilidade do regime fiscal for minada, haverá a perda de confiança dos investidores, levando a um tombo na Bolsa de Valores e na disparada do dólar e das taxas dos contratos futuros de juros. Por tabela, as expectativas de inflação poderão subir para além da meta do BC, forçando o Copom a elevar os juros mais rapidamente.

Nesse cenário, mesmo que a retomada cíclica esteja contratada, o aperto das condições financeiras dificilmente permitiria um crescimento do PIB ao redor de 4,0% em 2021. 

*É COLUNISTA DO BROADCAST

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