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A virada dos imóveis

Estudo diz que há grande potencial de crescimento do setor imobiliário nos próximos anos

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 05h00

Quem, por acaso, notou pela cidade muito mais canteiros de obras de edifícios agitados pelo entra e sai de operários e de caminhões betoneiras, provavelmente já antecipou o que os números começam a mostrar: o mercado imobiliário está engatando uma recuperação mais vigorosa, embora incipiente e talvez ainda não disseminada em todo o País.

O setor da construção civil foi um dos mais afetados pela recessão de 2015 e 2016, registrando severa contração de vagas de trabalho desde o final de 2014, diante de queda forte nas vendas de imóveis e paralisação dos lançamentos de novas unidades. Mas o ponto de virada pode ter começado.

Pesquisa do Secovi-SP, o sindicato da habitação paulista, mostrou que, em agosto, foram comercializadas 1.865 residências novas na cidade de São Paulo, a maior quantidade para o mês desde 2013. E o número de lançamentos na capital paulista em agosto, de 1.579 unidades, foi 45% maior do que em julho e 34,2% acima do registrado em igual mês de 2016.

Em relatório enviado a clientes, o economista-chefe da corretora Bradesco BBI, Dalton Gardimam, diz que um novo ciclo de crescimento do setor imobiliário já começou, embora isso não tenha ainda se refletido nos preços dos imóveis.

“Sem um aquecimento de preços no setor de imóveis mesmo com a melhora evidente e pronunciada em praticamente todas as outras classes de ativos, nós estamos propensos a apostar numa retomada dos preços nesse setor ao longo do tempo, especialmente se estivermos corretos em datar o novo ciclo de crescimento como já em curso – não importando muito quão moderado este acabe sendo, pois se trata de um processo de longo prazo”, escreveu Gardimam.

Se comparados com o desempenho da Bolsa de Valores, do real frente ao dólar e da inflação, os preços dos imóveis estão na lanterna. No acumulado do ano até setembro, o Ibovespa subiu 23,36%, o real valorizou-se mais de 2,5% frente ao dólar e a inflação medida pelo IPCA subiu 1,78%. Já o preço médio de imóveis residenciais em 20 cidades brasileiras acumulou uma queda de 0,56% de janeiro a setembro, conforme o índice FipeZap. Puxaram essa queda os preços nas cidades de Fortaleza, Rio de Janeiro e Niterói.

Também em relatório a clientes, Daniela Cunha de Lima e Priscila Pacheco Trigo, economistas do banco Bradesco, disseram que há grande potencial de crescimento do setor imobiliário nos próximos anos, tanto por condições de demanda quanto de oferta.

As economistas citam uma série de números que corroboram tal potencial, especialmente quando se leva em conta o baixo porcentual do crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil comparado a outros países, o elevado nível de déficit habitacional e a própria expansão no número de domicílios. Do lado conjuntural, a redução dos juros básicos será outra fonte de impulso.

Nos cálculos delas, cada corte de 1 ponto porcentual na taxa Selic pelo Banco Central reduz entre 6% e 8% a renda mínima exigida para o financiamento imobiliário.

“A queda de 1 ponto porcentual de juros adiciona cerca de 1 milhão de famílias elegíveis a um financiamento de R$ 200 mil para habitação, dependendo do patamar da taxa de juros,” escreveram as economistas do Bradesco. “De fato, atualmente em torno de 10% das famílias brasileiras poderiam se enquadrar em um financiamento de R$ 200 mil por 30 anos, porcentual que não passava de 7,5% há um ano.”

A Selic caiu de 14,25% ao ano para 8,25%, mas a estimativa dos analistas é que essa taxa caia para 7,0%.

“A cada mês, mais empresas confiam que o mercado está melhorando, confiam na economia, acreditam que há um descolamento da economia em relação à crise política e veem a queda na taxa de juros”, diz o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, ao explicar os pilares da melhora. Ele prevê um crescimento de 10% nas vendas de imóveis e nos lançamentos em 2017.

Essa recuperação mais forte parece estar visível apenas aos imóveis na cidade de São Paulo, mas, no resto do País, ao menos 50% dos mercados já apresentam uma melhora. A tendência é de aquecimento com a expansão mais acelerada do PIB.

*COLUNISTA DO BROADCAST

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