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A volatilidade do bitcoin não é novidade, e isso deve continuar

Aos entusiasmados, não esperem que a volatilidade seja reduzida e que uma moeda privada vai ter vida fácil para se instalar na economia

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2022 | 04h00

O Super Bowl é a grande final da NFL (liga de futebol americano), um dos maiores eventos esportivos do mundo. Neste domingo, colocará frente a frente Los Angeles Rams e Cincinnati Bengals. O evento, além de atrair muito público, faz girar muito dinheiro. Um comercial no intervalo do jogo está na casa dos US$ 7 milhões. O ingresso mais barato custa US$ 5.950. 

Uma notícia nos últimos dias trouxe muitos comentários: um dos melhores jogadores do Rams, Odell Beckham Jr., decidiu receber o seu o salário-base anual de US$ 750 mil em bitcoins (BTC). Os seus vencimentos totais por ano são superiores a US$ 3 milhões. O problema é que, com a queda do BTC em janeiro e após os impostos, a estimativa é de que esse salário tenha se transformado em aproximadamente US$ 35.000. A volatilidade do bitcoin não é novidade, e isso deve continuar. 

O fato é que essa decisão financeira custou muito dinheiro para o jogador. Por outro lado, permite a reflexão sobre a utilização de uma moeda privada no nosso dia a dia. Denomina-se moeda privada aquela emitida por uma empresa ou organização privada para ser usada como meio de troca e unidade de valor. Difere-se da moeda nacional (moeda fiduciária) por não ter curso legal. A emissão de moedas privadas não é novidade, nos EUA ocorrem emissões desde meados de 1800. 

Essas moedas, embora semelhantes, não se confundem com moedas comunitárias, emitidas para estimular a economia local. No Brasil temos centenas dessas moedas sociais. Uma criptomoeda é a versão digital de moeda privada descentralizada, usa de criptografia para segurança das transações e guarda. Mesmo sendo um investimento de alto risco, o seu uso disparou na última década, inclusive para transações ilegais. Embora muita gente acredite que essas moedas deverão fazer parte do sistema monetário convencional e, até mesmo, substituir moedas nacionais, ainda há muitos obstáculos a serem superados para termos certeza de que não é moda passageira. Se El Salvador se tornou o primeiro país (2021) a aceitar bitcoin como moeda legal, na Índia está sendo discutido o Regulamento do Projeto de Lei de Moeda Digital oficial, que pode levar ao banimento de todas as criptomoedas privadas. 

A enorme popularidade e volatilidade das criptos tem levado organismos mundiais a verem esse mercado como uma ameaça à estabilidade financeira. O FMI sugere uma estrutura regulatória mundial que possibilite redução das ameaças representadas pelas criptomoedas. De qualquer forma, aqueles entusiasmados com moedas virtuais não esperem que a volatilidade seja reduzida e que uma moeda privada vai ter vida fácil para se instalar na economia.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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