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A volta do financiamento de carros em 80 prestações

Planos estão tão longos quanto os do período pré-crise

Cleide Silva e Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Sem o fantasma de quebradeira e risco de inadimplência que assustou o mercado financeiro nos últimos meses, os bancos retomaram a acirrada disputa pelo financiamento de carros zero-quilômetro. Desde a semana passada, várias instituições anunciaram redução dos juros e ampliação de prazos em até 72 meses. Ontem, foi a vez do Bradesco, responsável por 25% dos financiamentos de carros novos no País, lançar planos em até 80 meses. O mercado praticamente volta às condições oferecidas antes da crise, quando a maior parte das ofertas era de até 84 parcelas. Algumas financeiras chegaram a trabalhar com 99 meses, mas houve pouca adesão de clientes. A melhora da situação econômica possibilitou as mudanças, diz o diretor executivo do Bradesco, Ademir Cossiello. "A manutenção do nível de emprego e a inadimplência controlada baratearam o custo do dinheiro." Os bancos das montadoras ainda não aderiram a essa tendência, mas devem segui-la em breve, admite o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro. Segundo ele, os bancos filiados à entidade operam com prazo máximo de 60 meses, "mas a maioria deve seguir o caminho da ampliação."Montenegro lembra que os juros hoje estão até mais baixos que os cobrados no período pré-crise, entre junho e julho, de 1,63% ao mês. No meio da crise, passou a 1,8% e, em março passado, estava em 1,65%. "Certamente quando divulgarmos um novo balanço já estará abaixo disso."O Bradesco reduziu a taxa mínima do crediário de 12 meses de 1,52% para 1,2%, porcentual igual ao praticado no início de 2008. Cossiello diz que há espaço para uma redução maior dos juros, "na medida em que haja redução da Selic."O grau de restrições para financiamentos de carros zero também diminuiu. Na crise, as financeiras exigiam o comprometimento máximo de 10% da renda do cliente com as parcelas. Hoje, a exigência voltou aos 30% exigidos antes da crise.Apesar dos planos mais longos, o mais procurado pelos consumidores é o de 60 meses, informam as instituições financeiras. Os juros nos planos atuais estão muito próximos para prazos de 60 e 72 meses, entre 1,5% e 1,8% ao mês. Na simulação feita pelo economista Ayrton Fontes, da MSantos, para um Celta no valor de R$ 29,9 mil, com entrada de 20%, as 72 prestações saem por R$ 465. Sem entrada e em 60 meses, teria parcelas de R$ 589. O mercado de carros novos vendeu, até a primeira quinzena de maio, 1,014 milhão de unidades, apenas 1,8% a menos do que os volumes de igual período de 2008.

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