Abamec: fraude em auditoria prejudica mercado

As fraudes em empresas de auditoria independente são consideradas um problema para o mercado de ações. Essa é a opinião do diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Mercado de Capitais (Abamec-SP), Milton Luiz Milioni. Para ele, a iniciativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de apurar e punir essas empresas é muito positiva e, no médio prazo, deve amenizar muito esse problema. "Quanto mais transparente e igualitária for a relação entre empresas e investidores, melhor para o mercado. Se há auditores que prejudicam essa relação, isso deve ser encarado como um problema a ser resolvido com rigor. A CVM tem sido ativa e eficiente nisso", destaca Milioni.O diretor da Abamec-SP destaca que, além da atuação da CVM, o próprio amadurecimento do mercado de ações tem levado a uma solução para esse problema. "Algumas empresas já aderiram às regras de governança corporativa, que priorizam o bom relacionamento entre empresa e investidor. Cada vez mais, essa característica é vista como uma vantagem valorizada pelo acionista", afirma Milioni.Vale lembrar que, dentre as medidas estabelecidas por empresas que seguem a prática da boa governança, devem constar quatro princípios básicos: tratamento igual a acionistas minoritários e majoritários, transparência na relação com o investidor, adoção de normas internacionais nos registros contábeis e cumprimento das leis. "Com base nisso, é possível dizer que quanto melhor posicionada a empresa em relação à governança corporativa, melhor qualificado será o auditor", destaca o diretor da Abamec-SP.Conflito de interessesMilioni explica que a isenção do trabalho de um auditor em uma empresa começa pela sua independência em relação à empresa de consultoria. "Se o auditor e o consultor fazem parte de um mesmo grupo empresarial há um conflito de interesses. Havia uma determinação da CVM que exigia que esses profissionais fizessem parte de grupos diferentes, mas uma liminar derrubou essa decisão", informa o executivo da Abamec-SP. Segundo ele, além dessa isenção, o melhor é que seja feito, a cada cinco anos, um rodízio de auditores, criando essa independência também em relação ao profissional e ao comando da companhia. Veja nos links abaixo mais sobre a atuação da CVM sobre esse trabalho e como o investidor pode se proteger.

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