Steve Marcus/REUTERS
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Abandonar ajuste fiscal seria suicídio para Dilma, diz Roubini

Para economista americano, correções vão gerar ‘dor’ no curto prazo, mas tendem a melhorar perspectivas

Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 21h14

O economista Nouriel Roubini disse nesta quarta-feira, em evento promovido pelo Credit Suisse em São Paulo, que abandonar o atual programa de ajuste seria um suicídio econômico e político para o governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, essas correções macroeconômicas vão gerar “dor” no curto prazo, mas as perspectivas tenderiam a melhorar no futuro. Enquanto isso, desistir do ajuste poderia levar a um crescimento um pouco maior nos próximos seis meses, mas depois os custos serão muito mais elevados.

Roubini disse que os políticos são “racionais” e consideram os prós e contras. Além disso, como Dilma está no começo de governo, ainda tem um capital político maior para promover as mudanças. “O Brasil é um grande país, com muitos recursos naturais, uma economia diversificada, com instituições financeiras fortes. Não há razão para não ter um crescimento potencial mais robusto, perto de 3%.”

A tônica da fala de Roubini, conhecido como Dr. Destino, por ter previsto a crise do subprime nos EUA, foi de um otimismo cauteloso. Ele chegou a mencionar algumas vezes que vê um pessimismo exagerado entre os agentes econômicos domésticos. “Dilma sabe que o Brasil não pode perder o grau de investimento, o que teria um custo significativo, por isso mesmo escolheu Levy. O cenário global pode até se enfraquecer, mas o rating do Brasil depende basicamente das políticas domésticas”, afirmou.

“Acho um rebaixamento improvável. Não acho que o Brasil pode virar uma Argentina ou Venezuela”, acrescentou Roubini. Segundo ele, a nova equipe econômica está comprometida com um superávit primário de 2% do PIB no médio prazo, “e acho que eles vão cumprir”.

Entre os pontos não tão positivos, Roubini comentou que o Brasil está menos ligado aos EUA que outros emergentes e, por isso, deve se beneficiar menos da recuperação da economia americana. Além disso, há o fim do superciclo das commodities e a inflação elevada, que não permite reduzir juros para estimular a economia.

Em relação a outros riscos globais, Roubini disse que a China deve crescer 6,5% este ano e próximo de 5,5% em 2016, o que não seria um “pouso suave” nem um “pouso forçado”, mas algo intermediário. Ele também citou a vitória do partido de esquerda Syriza na Grécia e riscos políticos na Itália. E mencionou a Rússia como outra grande fonte de preocupação.

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