Abate elogia ata do Copom sobre eventual aumento da Selic

Para o economista Odair Abate, diretor da Proventus, ao comentar o teor da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), divulgada ontem, disse que a maior parte dos analistas estava considerando a hipótese de a taxa básica de juros (a Selic) continuar em 16%, ou eventualmente cair ainda este ano para 15,5%. Para ele, a ata do Copom fez uma leitura correta do que está acontecendo na economia. "A taxa de inflação de fato está acima do que se esperava, e a expectativa em relação aos próximos 12 meses, e no ano que vem também, estão acima do ponto central da meta de inflação estabelecida para o período", disse Abate, em entrevista ao programa ?Conta Corrente?, da Globo News. O economista acrescentou que essa percepção, combinada com os significativos sinais de aquecimento da economia, trazem essa nova questão ao debate. "Talvez, se a manutenção de juros em 16% não for suficiente para reverter a tendência de inflação, talvez a taxa tenha que subir um pouco, mais à frente."Cumprir a metaEm sua avaliação, se o Banco Central se mostrar leniente no cumprimento da meta inflacionária, o mercado pode fazer uma leitura equivocada, de fragilidade na condução da política econômica. Aí, segundo disse, os impactos poderão ser mais negativos do que a própria manutenção da Selic em seu atual patamar. Ele lembrou que o sinais de demanda por consumo estão dados, e que os preços dos produtos precisam ser olhados com atenção. Para Abate, contudo, não se deve entender que haverá um aumento da Selic, já que a ata do BC diz claramente que se pretende mantê-la em 16%.Inibição no investimento?Sobre se um eventual aumento na Selic não provocará um desestímulo aos investimentos por parte dos empresários, o diretor da Proventus reconheceu que o juro é uma variável importante. "Mas a recuperação da atividade econômica vem ocorrendo, ainda que seja de forma mais intensa nos últimos meses, já há algum tempinho. No primeiro trimestre, tivemos um crescimento de PIB superior à expectativa da maior parte dos analistas, e os juros naquela época estavam num patamar ainda mais alto. O custo do dinheiro para investimento no mercado secundário estava mais elevado do que está hoje. É claro que o empresário vai levar em conta esse custo, mas é importante também que se tenha em mente que a estabilidade econômica vai ser preservada."Dilema novoSegundo Odair Abate, o país está vivendo um dilema novo, que é ter crescimento econômico com inflação, como nos Estados Unidos. "É um dilema menos problemático do que o que tínhamos anteriormente. Então, eu diria que os empresários poderiam ver com maus olhos alguma política não austera do Banco Central em relação aos juros. Eu diria que eles veriam com bons olhos uma sinalização de que a estabilidade econômica será preservada, para que os investimentos que venham a ser feitos tragam frutos consistentes ao longo do tempo, e este crescimento brasileiro não seja mais um vôo de galinha. Acho que os empresários estão interessados na manutenção da estabilidade econômica, também."

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