Abecip: taxa de juro a 10% será ponto onde veremos o crédito ser retomado

Projeção, segundo o presidente da associação Gilberto Duarte, se baseia na tese de que com o juro nesses níveis, a poupança volta a competir com os fundos de tíquetes menores

Cynthia Decloedt e Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 14h58

SÃO PAULO - A produção de crédito para o mercado imobiliário pode retomar patamares importantes, ao redor de R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões ao ano, com retração da taxa Selic para 10% a 11%. A opinião é do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte. A projeção se baseia, segundo ele, na tese de que com o juro nesses níveis, a poupança volta a competir com os fundos de tíquetes menores, entre R$ 50 mil a R$ 100 mil, considerando os custos com taxa de administração e imposto sobre o ganho.

"Nesse momento o fluxo da poupança volta e pode irrigar o mercado imobiliário", disse em conversa com jornalistas no evento Summit Imobiliário, realizado pelo Estadão em parceria com o Secovi-SP. Duarte considera que com a taxa de 12,3% projetada para o ano que vem, já existe potencial para boa melhora do mercado.    

O dirigente avalia que também a oferta de funding por meio de instrumentos como as letras de crédito imobiliário (LCI) tendem a ser incentivados com a queda do juro para 10% a 11%, já que por conta da isenção a demanda aumenta e, ao mesmo tempo, proporciona oportunidade aos tomadores de recursos a um custo mais baixo. "O impacto desse funding em termos de custo foi muito grande quando a taxa Selic atravessou o patamar de 14%", disse.    

Sobre um potencial fim da isenção da LCI, ele remeteu à criação da Letra Imobiliária Garantida (LIG), que diz ser um instrumento mais avançado em termos de garantia. Duarte aposta que o instrumento será regulado antes do final de 2016. "Temos discutido com o Banco Central, que tem interesse de regular esse mercado", afirmou.    

Duarte não considera que o mercado de crédito esteja estagnado em termos de funding. "O mercado está rodando, mesmo com o recurso a 14%, porque existem amortizações e portanto liberação de poupança", pontuou. "O mix é que importa", disse.    

De toda a forma, Duarte pondera que nesse momento não seria o ideal que o crédito voltasse aos patamares de R$ 100 bilhões a R$ 110 bilhões em concessões de financiamento imobiliário. "Não seria sadio, porque os custos das incorporadoras estouraram. Para o mercado ficar sadio, não é preciso voltar a esses patamares", destacou.

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