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Abeeólica espera reserva de demanda em leilão de energia

O governo federal deve reservar parte da demanda dos leilões de energia nova para as térmicas. Essa é a informação que os investidores de energia eólica trabalham para as licitações deste ano. "Acreditamos que o governo está no caminho certo ao promover a diversificação da matriz, mas ainda não sabemos como isso será feito", afirmou a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, durante o lançamento do Boletim Anual de Geração Eólica - 2012.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

15 de abril de 2013 | 17h34

A fala da executiva transparece o tom de apreensão dos investidores sobre o nível de contratação da fonte eólica este ano. Com os problemas enfrentados pelo setor elétrico no começo de 2013 por atraso das chuvas e baixo nível dos reservatórios, o governo federal adotou o discurso de retomar a contratação das térmicas nos leilões de energia deste ano. O temor dos investidores em eólica é que o governo opte por contratar um grande volume de térmicas a carvão e a gás natural por razões de segurança, deixando um pequeno volume para as eólicas.

"Quanto vão deixar para a eólica, quanto vão deixar para as térmicas a carvão e quanto vão deixar para as térmicas a gás, nós não sabemos", disse. Segundo a executiva, o que o governo tem sinalizado é que as usinas eólicas, que hoje só perdem em competitividade para as hidrelétricas, não irão disputar a demanda dos leilões com as térmicas em um mesmo produto. "No passado, a energia eólica tinha que ser protegida. Agora, são as outras fontes que não conseguem competir com as eólicas", comentou a presidente executiva da Abeeólica.

Na prática, o que o governo federal deve fazer é um leilão por fonte dentro de um leilão de energia nova. Nas licitações mais recentes, o governo tem dividido a demanda das distribuidoras em dois produtos: um voltado às hidrelétricas, em contratos por quantidade, e outro para as demais fontes de energia (eólicas, térmicas e biomassa), em contratos por disponibilidade. Com a queda aguda nos custos de geração das eólicas no Brasil desde 2009, essas usinas passaram a dominar os certames, reduzindo a contratação das termelétricas.

Elbia disse que a incerteza ocorre justamente no momento em que o mercado de energia eólica precisa de uma sinalização clara para orientar os investimentos. Com as novas regras para financiar os projetos da fonte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os fabricantes de equipamentos terão que investir pesadamente para nacionalizar uma série de itens. Para isso, no entanto, os fornecedores exigem que o governo sinalize qual o nível de contratação da energia eólica nos próximos anos para justificar os aportes.

"A sinalização vai depender dos leilões. Se a demanda for igual à de 2012, as indústrias não vão ficar no Brasil", afirmou a executiva. No ano passado, o governo federal só contratou 281,9 MW de projetos eólicos no leilão A-5. Para manter uma indústria de equipamentos instalada no País, as contas da associação são de que o País precisaria contratar 2 mil MW da fonte anualmente. Hoje, o Brasil conta com nove fabricantes de equipamentos eólicos cadastrados no BNDES.

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