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Abegás pediu apoio de associados a Adriano Pires, afirmando que faria gestão positiva para o setor

Ligação do economista e consultor com o setor de gás teria sido um dos pontos que colocaram em risco a indicação para a Petrobras

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 20h31

RIO -  A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) enviou aos seus associados, no último dia 29, carta onde pedia apoio ao economista Adriano Pires para assumir a presidência da Petrobras. A carta foi enviada um dia depois da indicação de Pires pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para o Conselho de Administração da estatal.

Cliente há anos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), fundado por Pires, a Abegás convocou seus associados a falar bem do economista, já que sua atuação na gestão da Petrobras seria "positiva para o setor". 

"Em razão de sua história no mercado de energia, solicitamos, se possível, o apoio de V. Sas. e de pessoas próximas, com declarações positivas à indicação de seu nome à presidência da Petrobras", afirmou a associação no documento assinado pelo presidente da entidade, Augusto Salomon.

A carta ressalta que a Abegás acreditava "fortemente" que a indicação seria positiva para o setor de distribuição de gás canalizado e para os demais elos da cadeia, visto a experiência no setor adquirida ao longo dos anos pelo economista.

Salomon afirmou, ainda, que Pires e "toda a equipe do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) vem contribuindo com estudos, relatórios, publicações e participação na grande mídia especializada, para a área de energia, a política nacional de combustíveis e o mercado de derivados de petróleo e gás natural".

Para respaldar suas afirmações, o presidente da entidade lembrou que Pires participou ativamente das discussões que culminaram na aprovação da Nova Lei do Gás.

No mesmo dia, para a imprensa, a Abegás também afirmou sua satisfação com a escolha de Pires, em outro comunicado: "Como presidente da Petrobras, ele certamente poderá levar esse entendimento e contribuir para acelerar o processo de desconcentração do mercado hoje existente. Isso será benéfico não só para o País, mas também para a própria Petrobras, que poderá concentrar seus esforços nas atividades em que ela tem comprovada excelência", explicou a Abegás em carta assinada pelo diretor de Estratégia e Mercado,  Marcelo Mendonça.

A proximidade com as distribuidoras de gás natural, a maioria com ações na Justiça contra a estatal por aumentos do preço do insumo, pode ter sido um dos pontos que colocaram em risco a indicação de Pires, já que poderia configurar conflito de interesses. Depois de ter sido indicado para o cargo pelo governo na semana passada, Pires decidiu nesta segunda-feira, 4, que não vai assumir a presidência da Petrobras.

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