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Abeiva dribla falta de estoque e carros no porto por IPI

O aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 30 pontos porcentuais para carros importados completou aniversário de um mês no último fim de semana. Para o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), José Luiz Gandini, o mês foi delicado para as importadoras, que passaram o período aguardando uma posição do governo em relação aos veículos que estavam nos portos, se poderiam ser vendidos sem o aumento do imposto. "Nós temos cobrado esse retorno, mas até agora não obtivemos resposta", disse o executivo, em entrevista à Agência Estado.

FERNANDA GUIMARÃES, Agencia Estado

20 de outubro de 2011 | 07h03

Por isso, as marcas já começaram a promover aumentos de preços que, segundo o presidente da Abeiva, deverão ocorrer de forma escalonada até o fim do ano. "Ninguém vai aumentar de 28% a 30% de uma vez só, já que isso afugentaria os consumidores de nossas marcas".

Em setembro, as vendas de importados cresceram com os consumidores buscando os carros em estoques, que não tinham sido afetados pelo aumento do IPI. Essa corrida às concessionárias antes do repasse de preços levou a um crescimento das vendas no mês. De acordo com a Abeiva, as vendas atingiram 22.569 unidades no mês passado, alta de 10,5% em relação ao mês imediatamente anterior. Ante setembro de 2010 houve aumento de 90,8%.

O aumento do IPI para carros que não tenham 65% de índice de nacionalização entrou em vigor no dia 16 de setembro. Carros importados do Mercosul e do México, regiões com as quais o Brasil mantém acordo de livre comércio, não serão afetados, já que são trazidos por montadoras que têm fábricas aqui. A medida vale até dezembro de 2012. Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Agência Estado: A medida que aumentou o IPI para os carros importados fez um mês. Qual o balanço desse período e que medidas a associação pretende tomar?

José Luiz Gandini: O mês foi muito complicado para todos os importadores, porque ficaram aguardando uma posição do governo quanto ao cumprimento do prazo de 90 dias(para a medida entrar em vigor) e também em relação ao estudo que nós pedimos para o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para nos dizer se ele manteria o IPI antigo apenas para as vias de importação já deferidas pelo governo. São estes os carros que estão nos portos e navios. Então, ficamos aguardando para tomar qualquer decisão. Nós temos cobrado esse retorno, mas até agora não tivemos resposta. Foi um mês muito ruim, em que nós deixamos de fornecer produtos aos nossos concessionários e os estoques praticamente acabaram na rede. Começamos a perder vendas, sem estoque na rede e com carros no porto.

AE: E qual foi a decisão em relação aos carros que estão nos portos?

Gandini: Na semana passada decidimos soltar esses veículos para os nossos concessionários e estamos começando a faturar. Diversas marcas já divulgaram as suas estratégias de preços para este ano. A maioria definiu por fazer um aumento escalonado. Ninguém vai aumentar de 28% a 30% de uma vez só, já que isso afugentaria os consumidores de nossas marcas. A indústria que produz no País também deverá aumentar os preços e, no final, talvez nossos carros não tenham esse diferencial de valor. A partir de janeiro eu não tenho dúvida de que as empresas terminarão todo o repasse, pois são novos impostos que nós temos que pagar.

AE: A Abeiva pensa em alguma ação legal contra o aumento do IPI?

Gandini: Nós decidimos não entrar na Justiça porque é possível conseguir uma liminar neste momento, mas a decisão sairia após um julgamento daqui três ou quatro anos. Aí, nós ficaríamos com uma faca no pescoço durante todo esse tempo, correndo o risco de vender o carro sem o IPI maior e daqui 3 ou 4 anos sermos surpreendidos com um débito monstruoso. Essa é a decisão da associação, mas algumas montadoras foram à Justiça, como é o caso da Chery, que já está com a liminar em mãos. Isso será a decisão de cada marca.

AE: Os países que se sentem prejudicados deverão procurar a Organização Mundial do Comércio (OMC)?

Gandini: Cada país que se sentir prejudicado deverá o contestar junto à OMC. Eu estive com o Ministro de Relações Exteriores e o Embaixador da Coreia na sexta-feira e os dois disseram que não fizeram uma reclamação formal contra o Brasil na OMC e que estavam estudando o assunto. O medo para eles é que essa medida seja levada para outros setores.

AE: Para o próximo ano já é possível fazer alguma projeção?

Gandini: Ainda é cedo para falar disso. Só conseguiremos ter uma previsão melhor para o próximo ano assim que todas as marcas divulgarem as tabelas de preços válidas para 2012. Sem saber os preços que serão praticados fica muito difícil prever se seremos competitivos ou não.

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