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Abengoa deve criar gargalo na transmissão

Atraso em obras da empresa pode gerar problemas para o sistema elétrico até 2020

Reuters

29 de abril de 2016 | 05h00

Os problemas da espanhola Abengoa, que paralisou obras de linhas de transmissão no Brasil em novembro passado em meio a uma crise financeira, podem trazer problemas para o sistema elétrico brasileiro até 2020, de acordo com estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os entraves já começariam a aparecer a partir de agosto deste ano.

O principal problema seria a limitação na quantidade de energia que pode ser enviada para outras regiões do País por usinas no Norte, como a mega hidrelétrica de Belo Monte, que em vários momentos poderá não conseguir gerar toda a carga por falta de linhas de transmissão.

A Abengoa tem cerca de 6,3 mil quilômetros em linhas a serem construídas no Brasil. Atualmente, esses projetos estão paralisados e a maioria está nas Regiões Norte e Nordeste.

O estudo, que considera o cenário de as obras da Abengoa não serem concluídas antes de 2020, foi preparado pelo ONS e pela EPE a pedido do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que reúne autoridades federais em energia, e apresentado em reunião realizada pelo órgão em março.

Como o Norte tem a menor demanda do País e, ao mesmo tempo, enormes usinas, como Belo Monte e Tucuruí, a região exporta energia para outras áreas. Mas os problemas da Abengoa devem provocar um descompasso entre geração e transmissão na região já em agosto deste ano, o que poderá perdurar até o início de 2020.

O ONS aponta que a geração média prevista deverá ser maior que a capacidade das linhas no início de 2017, época de chuvas, que aumentam a capacidade de produção das hidrelétricas, o que se repetiria nos primeiros meses de 2018 e de 2019.

Em 2017, a restrição alcançaria uma máxima de 1,2 mil megawatts (MW) médios no período úmido, mostra o estudo, o que representa aproximadamente a capacidade de geração de uma hidrelétrica do porte de Teles Pires, em Mato Grosso, orçada em R$ 4,5 bilhões.

Em 2018, a limitação seria de 900 MW médios e em 2019 poderia alcançar entre 1,7 mil MW médio e 3,3 mil MW médis.

O fim das restrições é estimado para 2020, quando está prevista a entrada em operação de dois linhões de “ultra e alta” tensão licitados para levar energia de Belo Monte até a Região Sudeste.

Esses dois linhões são construídos pela chinesa State Grid, que tem estudado a aquisição dos empreendimentos da Abengoa no Brasil.

Na quarta-feira, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata, afirmou que o governo espera que os chineses façam uma oferta pelos ativos da Abengoa no próximo mês.

Procurada, a espanhola não se pronunciou sobre o assunto.

Nordeste e Sudeste. A falta das linhas da Abengoa pode provocar, ainda, limitação para levar a outras regiões excedentes de energia gerados por usinas eólicas no Nordeste no período seco, entre maio e outubro.

O estudo mostra que a limitação poderia alcançar 900 MW médios em 2018 e 1,4 mil MW médio em 2019, nos momentos de maior geração dessas usinas.

Já na Região Sudeste o ONS afirma que é possível que o atraso na construção das linhas da Abengoa exija um maior uso de térmicas, que são mais caras que a geração hídrica, caso a região tenha de enviar energia para o Sul, o que ocorre frequentemente. Essa situação poderia perdurar até novembro de 2017, quando é prevista a conclusão de uma linha de transmissão vista como importante para o sistema, entre São Paulo e Paraná.

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