Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Abertura de 100 mil vagas no varejo em novembro sinaliza vendas fortes no Natal, aponta CNC

Projeção da Confederação Nacional do Comércio é de alta de 5,2%, desempenho que serviria apenas para retomar o nível de atividade de 2014

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 12h17

RIO - A abertura de 100 mil vagas formais de trabalho no varejo em novembro de 2019, a maior desde 2014, sustenta as expectativas de que as vendas do Natal passado tenham realmente surpreendido para cima, mostra um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast. Um aumento de vendas acima do esperado foi indicado em pesquisas preliminares de entidades empresariais no último dia 26, mas os dados foram contestados.

Polêmicas à parte, e enquanto os dados mais confiáveis, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não saem, o desempenho do mercado de trabalho formal corrobora a projeção da CNC, de alta real de 5,2% nas vendas do Natal de 2019, disse o economista Fabio Bentes, da Divisão Econômica da entidade.

Em meados de dezembro, antes de os dados sobre aberturas e fechamento de vagas formais de trabalho serem divulgados pelo Ministério da Economia pouco antes do Natal, a CNC já havia revisto a projeção de alta nas vendas de Natal de 4,8% para 5,2%.

Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra contratações e demissões, foram abertas 100.393 vagas formais de emprego no comércio varejista em novembro. Foi o melhor desempenho desde 2014, quando foram abertas 105.503 vagas, mostra o estudo da CNC.

O saldo positivo de vagas formais em novembro no varejo é um comportamento típico, já que, nesse mês, a maioria das empresas do comércio contrata funcionários temporários para dar conta das vendas de Natal. O fato de esse comportamento típico ter vindo forte em 2019 sustenta a expectativa de vendas mais robustas no Natal, segundo Bentes.

Em 2015 e 2016, auge da recessão que atingiu a economia brasileira, a abertura de vagas em novembro no varejo ficou em torno da metade do registrado em 2019 - 56.926 e 58.384 vagas, respectivamente. Em 2017 e 2018, a lenta recuperação da economia após a recessão não estimulou apostas ousadas na contratação de temporários. O saldo de vagas abertas ficou em 85.751 em 2018.

“É possível ter um crescimento de vendas de Natal acima de 5,0% em 2019. O Caged de novembro veio muito forte”, afirmou Bentes, se referindo aos dados sobre contratações e demissões.

Segundo o economista, o elevado número de contratações no varejo em novembro indica que os comerciantes estavam percebendo uma alta maior de vendas. Além disso, essa melhora no mercado de trabalho tem potencial de elevar a renda do trabalhador e, portanto, o consumo, num ciclo virtuoso que também contribui para a alta de vendas de Natal.

Mesmo assim, Bentes prefere esperar os dados fechados de 2019 da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, antes de rever sua projeção de vendas para o Natal. Na próxima semana, será divulgada a pesquisa do varejo de novembro e os dados de dezembro saem no início de fevereiro - Bentes ponderou ainda que é preciso observar o desempenho de novembro, já que o crescimento da Black Friday como data importante para o varejo nos últimos anos pode provocar uma antecipação nas vendas de Natal.

Apesar das projeções otimistas, o economista da CNC pondera que, mesmo se ficar acima do inicialmente previsto, o desempenho do varejo nas festas de fim de ano serviria apenas para retomar o nível de atividade de 2014. A projeção da CNC, de alta de 5,2% no Natal de 2019, levaria as vendas das festas do fim do ano passado a R$ 36,3 bilhões, ainda abaixo dos R$ 36,5 bilhões de 2014, já considerando valores atualizados pela inflação.

“São cinco anos perdidos”, afirmou Bentes, lembrando que, mantido o ritmo de recuperação, as vendas de fim de ano do varejo deverão voltar ao nível de antes da recessão apenas no próximo Natal.

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