Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Abertura de capital da Petz movimenta R$ 3 bi e é a maior do ano até agora

Estreia na Bolsa da varejista de animais para estimação serve como 'porta de saída' do fundo de investimento Warburg Pincus do negócio

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 20h41

Com alta demanda entre investidores, a varejista de produtos para animais de estimação Petz acaba de concluir a maior oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do ano até aqui, que movimentou R$ 3,03 bilhões, considerando os lotes extras. Com a oferta, o fundo de private equity americano Warburg Pincus deixa o controle da companhia para ser um sócio minoritário, com 5% do capital. O fundador da empresa, Sergio Zimermamm, volta, com isso, a ser o maior acionista da empresa, com 35%. Ela será a primeira varejista do gênero na B3 e sua ação terá seu debute no dia 11, próxima sexta-feira, valendo na chegada um pouco mais de R$ 5 bilhões.

A ação da companhia precificada hoje ficou em R$ 13,75, ante uma faixa indicativa de preço para o IPO que ia de R$ 12,25 e R$ 15,25. A demanda superou a oferta em seis vezes, segundo fontes, mesmo assim a ação não ficou no topo da faixa, com investidores acreditando que os múltiplos de venda estavam elevados. A empresa foi vendida ao longo do roadshow como uma espécie de Magazine Luiza, dada sua forte presença online, e com uma pegada de consolidação, tal qual a história da Raia Drogasil, disse uma fonte.

Os R$ 336,7 milhões que vão ao caixa serão destinados para a abertura de lojas e hospitais para os "pets" e tecnologia digital. Hoje a empresa tem 110 lojas, em 13 Estados.

"Somos a plataforma de soluções para pets mais abrangente do Brasil, considerando em conjunto sortimento, canais de venda, cobertura geográfica e oferta de produtos e serviços, e acreditamos ter mais lojas do que qualquer outra rede de varejo especializada do setor, a maior rede de centros veterinários e de estética animal, que também promove o maior programa de adoção de cães e gatos do País", segundo o prospecto da oferta.

A casa de análise Eleven Financial, que havia recomendado a entrada na oferta a seus clientes, tinha frisado, em relatório, que com um enorme mercado consumidor, alta fragmentação e pouca sofisticação entre os players, a exposição ao segmento via IPO da Petz era "uma oportunidade entre a leva recente de ofertas".

"As lojas que atuam no conceito de megaloja de produtos de pets (superstore) representam menos que 10% do mercado total no Brasil, e em países como Estados Unidos e Alemanha, estas lojas superam 20% de participação de mercado. Adicionalmente, a participação de pet shops de bairro, redes menores e clínicas veterinárias representam 51% do mercado brasileiro", segundo o relatório, assinado pelos analistas Daniela Bretthauer, Eric Huang e Tales Granello.

No primeiro semestre, o lucro líquido da Petz foi de R$ 22,1 milhões, ante R$ 3,1 milhões em igual intervalo do ano passado. A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ainda na primeira metade de 2020, foi de R$ 123,6 milhões, contra R$ 77,6 milhões um ano antes. Já a receita líquida subiu 36% em um ano, para R$ 617,3 milhões de janeiro a junho.

Os bancos coordenadores da oferta foram o Itaú BBA, Bank of America, Santander, JP Morgan e BTG Pactual.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.