Abertura de importações afeta economia livre, diz AEB

A abertura das importações, para combater aumento de preços, afeta o princípio da economia livre e pode prejudicar os projetos de investimento e as negociações comerciais do País. A avaliação foi feita pelo vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Se abrimos as importações estaríamos cometendo o mesmo erro do início dos anos de 1990, quando rebaixamos as tarifas e não pedimos nada em troca", comentou Castro, sobre a possibilidade de o governo abrir as importações para evitar a remarcação de preços. Este foi o teor do recado que o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva teria transmitido semana passada ao comando da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O executivo da AEB disse que ficou surpreso ao saber da notícia porque o País vive numa economia livre. Ele explicou que, na prática, ao reduzir espontaneamente as tarifas de importação, o poder de negociação brasileiro reduz ou fica eliminado nas discussões comerciais em curso, por exemplo com a União Européia (UE) e para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Além disso, prossegue Castro, se o governo passa a liberar as importações acaba inibindo as decisões de investimento, internas ou externas, no mercado nacional. "Por que a empresa investiria no Brasil se não tem a proteção tarifária?", questiona o especialista em comércio exterior.

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