Abertura de loja de carros no domingo vira caso de polícia

Sindicato protesta em revendas do grupo SHC 

Marcelo Rehder, de O Estado de S.Paulo,

21 de maio de 2012 | 22h42

A disputa entre o grupo SHC, que reúne mais de 90 revendas das marcas JAC, Citröen e Volkswagen, e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo em torno da abertura ou não das lojas de automóveis aos domingos virou caso de polícia. Na manhã do último domingo, uma manifestação organizada pelo sindicato em 15 lojas do grupo levou funcionários de cinco delas a chamar a Polícia Militar.

Segundo os funcionários, os manifestantes invadiram as lojas e tentaram convencer clientes a deixar os locais.

 

Os sindicalistas alegam que as lojas do grupo não estavam cumprindo o acordo firmado em convenção coletiva, no final de 2011, entre os sindicatos das concessionárias e dos trabalhadores, obrigando as lojas de veículos da cidade a trabalhar em apenas dois domingos intercalados durante o mês. A medida, no entanto, não tem apoio da totalidade dos empresários do setor.

De acordo com o empresário Sergio Habib, presidente do grupo, a abertura das lojas no domingo foi amparada em decisão do Tribunal Regional do Trabalho, (TRT), tomada no último dia 9.

"Temos uma decisão judicial que permite a abertura das concessionárias Citroën, JAC e Volkswagen do Grupo SHC em São Paulo aos domingos", afirma o empresário, em nota. "Cumprimos toda a legislação trabalhista e, por isso mesmo, recebemos autorização da Justiça para trabalhar."

Para o empresário, "é um absurdo que esse tipo de invasão, que contraria as regras do bom senso e intimida o consumidor, ainda aconteça, mesmo diante de uma decisão judicial". Segundo ele, "é preciso esclarecer que o público quer apenas comprar seu carro novo no dia que mais lhe convém".

O presidente do sindicato, Ricardo Patah, nega que tenha havido invasão ou intimidação de funcionários e consumidores. "Fizemos nosso protesto em frente às concessionárias, de forma pacífica, sem prejudicar ninguém."

O sindicalista argumenta que a decisão do TRT citada por Habib não foi publicada e, portanto, ainda não teria validade legal. Além disso, Patah ressalta que uma legislação municipal, específica de São Paulo, estabelece que abertura do comércio na cidade aos domingos somente é permitida mediante convenção ou acordo coletivo.

"Temos convenção assinada com os supermercados, mas para concessionárias de veículos aprovamos só dois domingos por mês", afirma o sindicalista.

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