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Aberturas de capital podem movimentar cerca de US$ 10 bilhões no próximo ano

Pelo menos 20 companhias estariam com preparativos avançados para lançar ações na Bolsa, entre elas, a construtora Tenda, a varejista Carrefour e a Caixa Seguridade; neste mês, estreia na BM&FBovespa da empresa de diagnósticos Alliar foi a 1ª em 16 meses

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2016 | 05h00

As ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) devem ocupar um espaço nobre do mercado financeiro em 2017. O número de companhias que, no momento, se estruturam para a abertura de capital não para de crescer: ao menos 20 estariam com os preparativos em ritmo avançado e algumas delas já contrataram os bancos de investimento que ficarão à frente da operação. A aposta no mercado é de que o desenrolar desses IPOs tenha potencial para movimentar mais de US$ 10 bilhões no ano que vem.

A lista de empresas que pretendem levar ações para a BM&FBovespa engloba diversos setores: há a Tenda, em construção; Unidas e Movida, de locação de veículos; Hapvida, NotreDame Intermédica, Biotoscana e Hermes Pardini, em saúde; Carrefour, em varejo; Log Comercial, em logística; e Tudo Azul, do setor de fidelidade. Bio Ritmo, no segmento de academias, também é candidata para realizar uma oferta no ano que vem. Ainda nesse grupo estão o ressegurador IRB Brasil Re e a Caixa Seguridade, que tentam abrir capital desde o ano passado, ainda na esteira da necessidade de receitas pelo governo federal.

Como reflexo desse movimento, o Bradesco BBI já tem em carteira 12 ofertas sendo estruturadas para o ano que vem, sendo que 11 delas são IPOs, conta o diretor gerente do Bradesco BBI, Leandro Miranda. “Estamos muito positivos para 2017. Das ofertas que estamos estruturando, as empresas estão pensando em investimento orgânico ou via aquisições. Esses cases ainda se beneficiam do novo momento econômico”, frisa Miranda. Segundo ele, os setores candidatos estão, de fato, diversificados, com destaque, salienta, em energia, seguido por saúde, imobiliário, financeiro, serviços, consumo, varejo, concessões, tecnologia e agronegócio. “Essa diversificação setorial é muito importante e mostra que esse movimento não é algo isolado”, diz o executivo.

O sócio da área de capitais do Mattos Filho, Jean Marcel Arakawa, conta que no escritório o movimento também está intenso. Segundo o advogado, as movimentações começaram a crescer desde o re-IPO da Energisa, em julho, que evidenciou elevado apetite por parte dos investidores, incluindo os estrangeiros. “Isso tirou um pouco do receio e foi uma sinalização importante, mostrando que há investidor interessado.”

A quantidade de empresas candidatas a abrir capital também é explicada pelo grande represamento após um período em que o mercado brasileiro viu estreitas janelas de oportunidade para um IPO, na esteira de uma prolongada crise política e econômica, explica a sócia na área de Mercado de Capitais do escritório Machado Meyer, Eliana Chimenti. “Estamos vendo um otimismo maior em relação a essa retomada do mercado. Vamos ver algumas ofertas entre o final deste ano até o começo de fevereiro”, frisa.

IPO após 16 meses. Neste mês, a Bolsa brasileira foi palco do primeiro IPO do ano, após 16 meses sem nenhuma oferta inicial, com a empresa de diagnósticos de imagem Alliar, controlada pelo fundo Patria. A oferta movimentou R$ 766 milhões. Para o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, essa operação demonstra que a confiança voltou ao mercado de capitais. Prova disso seria a forte presença de investidores estrangeiros na oferta, da ordem de 60% do total, segundo dados preliminares.

O executivo acrescenta que 2017 deverá ser o “ano para IPOs” l e há chances de que, daqui para frente, o País volte a ter um número médio de aberturas de capital próximo ao que se via no passado, de cerca de 25.

Miranda, do BBI, acredita que o número de operações para o ano que vem pode ainda ser maior à medida que o Brasil comece a mostrar um crescimento econômico concreto.

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