Abifarma contra controle de preços de remédios

O governo decidiu prorrogar até 31 de dezembro de 2002 o controle sobre o preço dos medicamentos. O prazo terminaria em dezembro deste ano. A prorrogação foi definida por medida provisória publicada na edição de segunda-feira Diário Oficial da União. Esse controle funciona com uma espécie de congelamentos dos preços dos medicamentos. A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) lamentou a decisão do governo de não conceder reajustes aos medicamentos e afirmou que a MP tem caráter eleitoral.Em nota oficial de sua diretoria, a Abifarma comunica que lamenta profundamente a decisão do governo de prorrogar o congelamento de preços dos remédios e que esta medida prejudica o setor, que segundo à Abifarma, está sofrendo prejuízos financeiros por causa da alta do dólar que está provocando uma alta na importação de insumos.De acordo com a Abifarma, a decisão do governo contraria os pedidos da indústria farmacêutica de fim imediato do congelamento e de reajustes de 7% a 12% nos preços dos remédios. Pela MP, haverá novo reajuste em janeiro do próximo ano, em porcentual máximo a ser definido. Depois disso, novos aumentos acima do teto ficarão proibidos. As regras e os porcentuais do próximo reajuste serão fixados pela Câmara de Medicamentos, a exemplo do que ocorreu em janeiro deste ano. A Abifarma destaca em sua nota oficial que a possibilidade de reajuste só em janeiro e a extensão do congelamento está fazendo com que as empresas do setor revejam seu planejamento econômico e financeiro, estudando, inclusive a suspensão de investimentos em pesquisas, planos de expansão e instalação de novas unidades produtivas no país.CRF-DF apoia governoO presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF), Antônio Barbosa, destaca que a entidade apóia a decisão do governo em congelar os preços dos medicamentos e discorda da posição da Abifarma. "Os laboratórios não deveriam estar reclamando de despesas, pois o preço das matérias-primas do setor chegou a cair cerca de 40% neste ano", afirma Barbosa.Barbosa destaca que segundo uma pesquisa realizada pelo CRF-DF, antes do congelamento, alguns medicamentos tiveram aumentos de até 350%. "Mesmo depois do congelamento, alguns laboratórios efetuaram aumento de preços, desrespeitando a legislação. Além disso, outros laboratórios estão maquiando os preços e alterando suas embalagens", avisa o presidente CRF-DF.

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