Abifarma estuda reduzir preço de remédio essencial

A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) estuda a redução dos preços de remédios essenciais, como hipertensivos, diuréticos e antibióticos, a partir de janeiro. Seria uma contrapartida para o reajuste geral entre 7% e 12% dos preços que ela reivindica por causa do aumento no custo de produção com a alta do dólar. A medida faz parte de uma negociação da entidade com o Ministério da Saúde.O reajuste a ser concedido em janeiro terá deduzido o aumento médio de 4% já permitido pelo governo, que entra em vigor hoje. De acordo com o presidente da Abifarma, Ciro Mortella, a queda dos preços dos remédios, que fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Especiais, é uma reação da indústria ao avanço dos medicamentos genéricos no mercado e uma resposta política ao congelamento de preços determinado pelo governo."Essa redução é para mostrar que as empresas podem administrar seus preços, sem que você tenha que instituir mecanismos especiais para isso", afirmou Mortella, que participou ontem do seminário Genéricos: Mercado, Tecnologia e Perspectivas, na Confederação Nacional de Comércio. "O mercado também faz pressões para baixo, porque a empresa perde espaço ou porque a margem de lucro está alta. A perversão do controle é que não te dá a possibilidade de reduzir o preço, porque você reduz e não vai poder aumentar depois."ConcorrênciaMortella disse que pode haver remédios de referência entre os medicamentos cujos preços podem ser reduzidos. As indústrias podem, ainda, reduzir o valor de uma das apresentações do remédio - reduz o preço da caixa de comprimidos de 500 mg, mas reajusta a embalagem de 250 mg - para que ele possa competir com o genérico. O presidente do Grupo Pró Genérico, entidade que reúne 19 indústrias fabricantes desse tipo de medicamento e organizou o seminário, Carlos Eduardo Sanchez, afirmou que as empresas podem reagir. "A Pró Genérico pode atacar e baixar ainda mais", afirmou.Hoje os genéricos têm 3,52% do mercado de medicamentos no Brasil. O mais vendido, a amoxicilina, vende quatro vezes mais do que o seu remédio de referência, o Amoxil. A previsão do Ministério da Saúde é de que os genéricos correspondam a 30% das vendas até 2004. Mortella é pessimista. Segundo ele, este ano a indústria farmacêutica teve queda na produção de 1,5 bilhão de unidades, cerca de 5% do total. "Talvez os genéricos possam chegar a 5% do mercado no ano que vem. Mas não consigo reunir elementos científicos para fazer essa previsão de 30%", disse.OsteosporoseA gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Vera Valente, anunciou ontem que será liberada a produção de genéricos para tratar de doenças na tireóide, osteosporose e diabetes. Esses medicamentos são feitos à base de hormônio sintético. A legislação proibia a fabricação de genéricos a partir de hormônios naturais, porque, na corrente sangüínea, eles se confundem com os hormônios do paciente, impedindo que sua concentração no sangue fosse medida. A nova portaria sai em 15 dias. Já há pedidos de indústrias interessadas para registro do produto no Ministério da Saúde.

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