Abilio Diniz compra ações do Carrefour e negocia comando da operação no Brasil

Empresário, que se desfez na semana passada de ações que ainda detinha do Pão de Açúcar, contratou assessoria para vender lojas alugadas ao GPA

Mônica Scaramuzzo e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2014 | 02h09

O empresário Abilio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar e atual presidente do conselho de administração da empresa de alimentos BRF, já começa a preparar terreno para voltar ao varejo. Fontes ouvidas pelo 'Estado' afirmaram que o empresário teria desembolsado cerca de US$ 1 bilhão para a compra de cerca de 3% das ações do Carrefour. Diniz também teria contratado assessoria do executivo Caio Mattar, que foi um dos seus braços direitos no GPA, para a venda de suas lojas alugadas ao Pão de Açúcar.

Com a venda dessas lojas, cerca de 60 unidades, o empresário levantaria cerca de R$ 2,5 bilhões, o que daria mais liquidez para obter cerca de 6% das ações na rede de varejo francesa. Fontes afirmaram que Abilio Diniz quer adquirir a mesma fatia da família francesa Moulin, proprietária da loja de luxo Galeries Lafayette, no Carrefour.

Em abril, a família Moulin informou ao mercado a aquisição de 6,1% no Carrefour S/A, por meio da Motier Holding, tornando-se o terceiro maior acionista da varejista, atrás do grupo de private equity Colony Capital LLC e da holding do empresário francês Bernard Arnault.

Para adquirir uma participação parecida, Abilio Diniz teria de levantar cerca de R$ 4 bilhões, segundo fontes de mercado. As vendas das lojas renderiam cerca de R$ 2,5 bilhões, mas essa operação não está vinculada à compra dos papéis do Carrefour. O GPA tem o direito de preferência para a compra desses imóveis, que já teriam sido oferecidos ao Kinea ( fundo de investimento do Itaú), à BR Properties e a fundos de pensão. Procurados, a assessoria de Abilio Diniz, o executivo Caio Mattar, Kinea, BR Properties e o Carrefour não quiseram comentar o assunto.

Na semana passada, o empresário levantou cerca de R$ 820 milhões com a venda de 7,9 milhões de ações preferenciais que detinha no GPA. Outros membros da família Diniz continuarão a ser acionistas do GPA, mas não deram direito de "lock-up" (comprometimento de não venda dos ações). A assessoria de imprensa da Península, empresa responsável pelos investimentos dos Diniz, disse que essa venda fez parte de um processo de "diversificação do portfólio" da família, e que esses recursos seriam destinados a reforçar a estratégia de investimentos em novos negócios, sem fornecer mais detalhes.

Direitos especiais. Há meses Abilio Diniz tem sido cortejado pelo presidente da rede varejista francesa Carrefour, Georges Plassat, para assumir a direção da companhia no Brasil. No fim do ano passado, Plassat jantou com Pércio de Souza, dono da butique de investimento Estáter, que assessorou Diniz na operação com o Casino e em outros negócios. À época, o empresário não se interessou pela proposta, uma vez que já havia negociado sua entrada na BRF, na qual injetou R$ 1 bilhão. Procurada, a Estáter também não comentou o assunto.

Segundo apurou o Estado, Abilio Diniz voltou a falar com Plassat nas últimas semanas e, ao comprar uma participação na rede francesa, estaria negociando em troca direitos especiais de gestão da rede varejista no Brasil. "Ele faria parte do conselho do Carrefour lá fora, seria presidente do conselho no País e teria direito a indicar o presidente (o nome de Antonio Ramatis, ex-presidente da Via Varejo, foi especulado pelo mercado)", diz uma fonte.

Plassat busca um gestor forte para mudar a gestão do Carrefour no País e preparar a empresa para ir à Bolsa em 2015.

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