Abilio Diniz pede arbitragem contra o Casino

Empresário quer ter direito de participar de todas as decisões estratégicas do Grupo Pão de Açúcar

DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h15

Uma semana depois de ter quase todas suas propostas recusadas pelo conselho de administração do Pão de Açúcar, o empresário Abilio Diniz entrou ontem com um pedido de arbitragem contra o sócio francês Casino, que desde junho tem o controle do grupo varejista. O documento encaminhado à Câmara de Comércio Internacional afirma que o objetivo é evitar o esvaziamento da função de Abilio como presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar.

Na semana passada, os conselheiros da empresa rejeitaram a proposta de Abilio para estudar a migração da empresa para o Novo Mercado e aprovaram as regras do novo comitê de governança sugeridas pelo Casino, apesar da manifestações contrárias de Abilio. O conselho negou, ainda, a participação do empresário nos comitês financeiro e de governança corporativa.

Casino e Abilio estão em pé de guerra desde o ano passado, quando o empresário negociou, em segredo, uma fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour - principal rival do Casino. Os franceses enxergaram no movimento uma tentativa de atropelar o acordo que este ano deu ao Casino o controle do Pão de Açúcar - algo que Abilio sempre negou.

No lance mais recente dessa briga, o Casino indicou Maria Helena Santana, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para presidir o comitê de governança. O comitê foi criado para intermediar o relacionamento entre conselho de administração, diretoria e acionistas.

Segundo maior acionista da companhia, Abilio enxerga no comitê uma ação do Casino para afastá-lo cada vez mais do Pão de Açúcar. Seus assessores afirmam que, com o pedido de arbitragem, ele tenta assegurar o direito de participar das reuniões estratégicas da empresa e dos comitês financeiro e de governança já que sua permanência como presidente do conselho está atrelada ao desempenho da companhia. Para o empresário, do jeito que foi concebido o comitê teria mais poder do que a diretoria e o conselho de administração.

O Casino não quis se manifestar oficialmente. Mas assessores do grupo francês afirmam que as regras de funcionamento do recém-criado comitê de governança foram aprovadas na última reunião do conselho de administração: "Os conselheiros do Casino votaram com o Casino, os de Abilio votaram com Abilio e, dos três conselheiros independentes que estavam presentes, dois se abstiveram e um votou a favor da proposta do Casino. Nenhum independente votou com Abilio".

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