Abilio Diniz vende ações e deixa o Pão de Açúcar

Empresário vendeu 7,9 milhões de papéis por cerca de R$ 820 milhões; valor deve ser revertido a novos negócios

Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo e Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2014 | 02h13

As ações vendidas ontem pelo Grupo Diniz - que reúne membros da família que têm ações preferenciais do Grupo Pão de Açúcar - na BM&FBovespa eram de propriedade do empresário Abilio Diniz, apurou o Estado. Com a venda de 7,9 milhões de papéis, ou 3% do capital, o empresário deixa de vez de ser sócio do negócio fundado por seu pai em 1948. Outros membros da família Diniz continuarão a ser acionistas do GPA.

Oficialmente, a assessoria de imprensa da Península, empresa responsável pelos investimentos do empresário, diz que a venda faz parte de um processo de "diversificação do portfólio" da família. A operação - que rendeu cerca de R$ 820 milhões ao empresário - deverá ser usada para reforçar a estratégia de investir em novos negócios.

Segundo fontes de mercado, Abilio estaria sendo auxiliado pela Tarpon Investimentos para definir onde aplicar o crescente volume de dinheiro disponível. A Tarpon e o empresário se aproximaram nos últimos anos, especialmente depois de a empresa ajudar Abilio a ganhar espaço na sociedade e nas decisões gerenciais da gigante dos alimentos BRF.

Para analistas de mercado financeiro, a venda de ontem ocorreu em um momento que não é especialmente bom para as ações do GPA. Em 2013, os papéis chegaram a valer mais de R$ 110. A impressão é que a pressa em renovar o portfólio pode ter influenciado a decisão.

Carrefour. Dentre essas possibilidades, uma associação com a rede francesa Carrefour - aqui ou em nível global - não estaria totalmente descartada, apurou o Estado. Os franceses ofereceram - sem sucesso - a operação local a Abilio em 2013. O empresário, porém, estaria interessado em um acordo que envolvesse uma fatia da matriz e incluísse o direito de ditar os rumos da rede no Brasil. Fontes ligadas a Abilio negam as negociações.

Foi justamente uma disputa com o sócio francês Casino envolvendo o Carrefour que começou a definir a saída de Abilio do GPA. Em 2011, o empresário tentou montar uma fusão do grupo brasileiro com a operação global do Carrefour, despertando a ira do Casino.

Após dois anos de troca mútua de farpas, os sócios chegaram a um acordo em 2013. Em setembro passado, Abilio aceitou deixar o grupo de controle do GPA e também saiu saiu do conselho de administração. Neste movimento, trocou suas ações ordinárias - com direito a voto - por preferenciais.

Mesmo com a venda das ações de Abilio, a história dos Diniz dentro do Grupo Pão de Açúcar não terminou por completo. Outros herdeiros ainda têm outros 11 milhões de ações preferenciais da companhia. Ana Maria Diniz, João Paulo Diniz, Pedro Paulo Diniz, Adriana Falleiros Diniz, Rafaela Diniz e Miguel Diniz possuem 1,9 milhões de papéis cada um.

A venda dos papéis de Abilio foi coordenada pelo banco Itaú BBA. No total, a operação envolveu 8,46 milhões de ações e somou R$ 880 milhões. Segundo fontes, o restante das ações vendidas não seria de acionistas da família Diniz.

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