Abimaq: 'faltou muita coisa' em anúncio de desonerações

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert, disse hoje que o setor foi "surpreendido" com as medidas de redução de juros na área de empréstimos anunciadas hoje pelo governo federal. No entanto, na parte de desoneração tributária, que beneficiou o setor, o presidente da Abimaq disse que "faltou muita coisa". Ele disse que só pode recomendar ao setor que aproveite os financiamentos dentro do Finame (do BNDES) a juros de 4,5% ao ano. Essa medida vale até dezembro de 2009.

ISABEL SOBRAL, RENATA VERÍSSIMO, CHIARA QUINTÃO E JACQUELINE FARID, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 15h40

No campo da desoneração de tributos, Luiz Aubert disse que as medidas podem ajudar, mas ressaltou que é preciso criar no Brasil a cultura de desoneração total de investimentos em bens de capital (máquinas e equipamentos). Ele citou dois pleitos do setor não atendidos pelo governo: a depreciação acelerada, que hoje é feita em 12 meses e que para o setor deveria ser imediata, e a devolução mais rápida de créditos de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Outra reclamação do representante do setor é quanto ao peso de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos investimentos de bens de capital. Apesar das reclamações, o presidente da Abimaq disse que as medidas anunciadas hoje darão "oxigênio" ao setor.

Fenabrave

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Antonio Reze, disse que o segmento de motos e caminhões não apresentou reação nas vendas, apesar das medidas de desoneração anunciadas pelo governo este ano. Ao contrário, afirmou, as vendas caíram nesse período. No caso de motos, Reze disse que o problema básico é falta de crédito. Já para caminhões, além da escassez de crédito, o presidente da Fenabrave atribuiu a queda nas vendas ao problema com o frete.

Segundo ele, dos três setores que movimentam a carga, dois estão com problema: o industrial e a mineração. O terceiro setor é a agrícola. "A economia reagindo terá transporte. Com essas medidas de redução dos custos de financiamento e aumento dos prazos, e com a outras medidas de reativação da economia, esperamos que o setor volte a crescer", avaliou.

No setor de motos, Reze explicou que com a crise, os bancos ficaram extremamente restritivos na aprovação do cadastro do cliente. E segundo ele, o comprador de moto é o que fica na base da pirâmide. É o consumidor de mais baixa renda, cuja aprovação cadastral é mais difícil. "A nossa expectativa é que com essas medidas que o governo tomou possa haver uma reação da economia e isso faça com que os bancos voltem a participar do mercado de financiamento de motos", afirmou.

Abramat

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, tem a expectativa de que as atuais alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de materiais sejam prorrogadas novamente, em função do ciclo de produção do setor de construção. Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que as alíquotas de IPI para materiais em vigor desde 1º de abril serão mantidas até 31 de dezembro. A solicitação da Abramat era de que o prazo fosse estendido até o fim de 2010.

"Mantega disse hoje que a forma de atingir o consumidor final é diferente no setor de construção e citou o exemplo de que uma reforma pode durar seis meses", disse Fox, acrescentando que uma obra que necessite de um ano a um ano e meio para ficar pronta precisaria de prazo maior com alíquotas reduzidas de IPI. Apesar de a prorrogação de prazo ter sido inferior à pleiteada pela entidade, o presidente da Abramat disse considerar a medida "bastante positiva" e que a perspectiva é de que o crescimento no segundo semestre seja "mais intenso".

Fecomércio-RJ

A prorrogação da redução do IPI em bens de consumo como automóveis e eletrodomésticos de linha branca anunciada hoje pelo governo vai contribuir "para manter as vendas do varejo aquecidas", segundo o economista da Fecomércio-RJ Christian Travassos. Segundo ele, o consumo doméstico tem sido fundamental para reduzir os efeitos da crise sobre a economia brasileira e as novas medidas anunciadas hoje pelo governo vão garantir a manutenção ou aceleração do crescimento do mercado interno.

Segundo Travassos, a redução do IPI para a linha branca a partir da metade de abril ainda não teve, até maio, efeito significativo para acelerar as vendas de eletrodomésticos no varejo, mas cumpriu o importante papel de evitar uma queda no faturamento desse segmento em relação a igual período do ano passado. "A base de comparação de 2008 é muito elevada e uma estabilidade nas vendas nessa comparação, em meio a uma crise, é um fator positivo", afirmou.

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