Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Abimaq pretende pedir incentivo fiscal em reunião do 'Conselhão'

Presidente da associação quer esforço do governo para renovar parque industrial no País; em 2015, setor de máquinas teve terceira queda consecutiva no faturamento

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2016 | 17h37

Membro do chamado "Conselhão" do governo federal, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pretende sugerir ao governo nesta quinta-feira, 28, na primeira reunião do grupo desde 2014, a adoção de incentivos fiscais para que as fábricas instaladas no Brasil renovem seus parques industriais com a compra de novas máquinas e equipamentos, afirmou o presidente da entidade, Carlos Pastoriza.

"Nós sabemos da dificuldade fiscal que o governo tem nesse momento, mas seria importante o governo fazer um esforço para que o parque industrial se renove", disse. "O parque industrial do Brasil tem uma média de idade de 17 anos, enquanto na Alemanha é media é de oito anos", comparou. "Nosso parque tem hoje máquinas mais antigas e menos automáticas", acrescentou. 

A Abimaq divulgou seus resultados de 2015 e mostrou que o setor registrou no ano a sua terceira queda seguida no faturamento, de 14,4%, para R$ 84,873 bilhões. No início do mês, o Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, antecipou que a Abimaq pretendia retomar a discussão sobre a implementação de um plano de renovação do parque industrial brasileiro, mas ainda não havia uma proposta definida.

Na reunião de amanhã, Pastoriza pretende levar também uma proposta para melhorar a situação do setor a curto prazo, com o refinanciamento de empréstimos tomados por empresas do setor junto ao BNDES. "Precisamos de um alívio de pelo menos um ano na cobrança de amortizações por parte do BNDES, para que essas empresas possam sobreviver neste ano com menos carga financeira e depois continuem a pagar. Isso seria fundamental para que as empresas continuem produzindo", explicou. A Abimaq tem assento no "Conselhão" desde 2003. 

Demanda. O enfraquecimento da demanda global por máquinas e equipamentos deverá limitar o ganho de competitividade internacional obtido com a depreciação do câmbio, avaliou o diretor de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Bernardini. "O dólar a R$ 4 nos permite voltar a competir fora do País, mas o que pode atrapalhar é que o mundo está reduzindo seus investimentos em bens de capital", explicou.

"Todas as grandes petroleiras mundiais devem cortar seus investimentos previstos para este ano em cerca de US$ 300 bilhões, com a Petrobras fazendo a sua parte com corte da ordem de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões", disse Bernardini.

As exportações de máquinas e equipamentos alcançaram US$ 8,030 bilhões em 2015, declínio de 16,2% em relação ao ano anterior 2014, enquanto as importações somaram US$ 18,818 bilhões, recuo de 23,3% na mesma comparação.

Bernardini disse ainda que, se o governo implementar um programa de financiamento das exportações neste ano, a medida poderá ajudar a impulsionar as vendas externas. "Se tivermos essas condições, poderemos ter um aumento das exportações em 2016 da ordem de 15% a 20%", afirmou.

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