Abimóveis deve reduzir exportação para a Argentina

Empresários se comprometem a reduzir em 35% as exportações para o país vizinho

Marina Guimarães, da Agência Estado,

05 de junho de 2009 | 02h14

 

A Associação Brasileira de Móveis (Abimóveis) fechou acordo com a Federação Argentina da Indústria Madeireira e Afins (Faima), pelo qual se comprometeu a reduzir suas exportações para o país vizinho em 35% em relação aos volumes exportados no ano passado. "No ano passado, nós vendemos à Argentina 858 mil peças de móveis de escritórios, cozinhas, dormitórios e demais móveis de madeira e sabemos que 35% é um corte muito grande, mas é melhor esse acordo do que não exportar nada, como está ocorrendo desde o dia 26 de março", explicou o presidente da Abimóveis, José Luiz Diaz Fernandez.

 

Segundo ele, em março houve uma queda de 97% das exportações de móveis para a Argentina porque o país impôs as restrições de licenças não automáticas para o setor. Desde então, "os fabricantes de móveis não estão exportando nada", disse Fernandez. Ele informou, ainda, que se o acordo não tivesse sido alcançado, as empresas brasileiras ficariam pelo menos mais 30 dias sem exportar nesta quinta-feira, até o próximo encontro entre as partes. "Agora temos o compromisso do governo argentino de que os produtos serão liberados rapidamente, entre 30 a 40 dias", afirmou.

 

A queixa de Fernandez sobre a demora na liberação da mercadoria brasileira na aduana argentina é replicada pelos empresários e pelo governo do Brasil. Eles afirmam que a norma da Organização Mundial de Comércio (OMC) que regula a aplicação das licenças não automáticas não é cumprida pela Argentina. "O tempo máximo de demora permitido é de 60 dias para que a importação seja liberada, mas o empresariado brasileiro reclama que há demoras de até 90 ou mais dias", afirmou o Secretário Executivo do Ministério de Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior do Brasil, Ivan Ramalho, em entrevista aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires.

 

Ramalho e representantes dos setores de freios e embreagens, linha branca, confecções, calçados e leite em pó, além do moveleiro, se encontram na capital portenha para mais uma rodada de negociação com os argentinos, em busca de acordos para destravar as exportações brasileiras ao mercado vizinho. Os setores de telefone celular, aerossol e pneus também tinham reuniões agendadas que foram canceladas pelo lado argentino. Ramalho disse que não sabe a razão do adiamento das reuniões, mas reconheceu que o processo de negociação "está lento" e que esse ritmo é preocupante. "Isso nos preocupa porque a impressão do empresariado brasileiro é de que a demora em se chegar aos acordos e o adiamento de reuniões sejam parte de uma estratégia oficial", afirmou.

 

O lado brasileiro suspeita que a Argentina prefere proteger seu mercado por meio das licenças não automáticas e outras barreiras do que estabelecer as cotas para importações brasileiras.

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