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Abipecs: governo perdeu a credibilidade com a UE

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Netto, fez hoje duras críticas ao Ministério da Agricultura e disse que o poder Executivo não tem mais credibilidade para negociar o comércio de carne bovina com a União Européia (UE). "Foram muitas promessas não cumpridas", afirmou Camargo Netto, que é pecuarista. Segundo ele, a crise no comércio de carnes entre Brasil e UE é muito séria e é resultado de anos de desastres. O dirigente disse que o Sisbov (sistema de rastreabilidade do gado bovino) "nasceu errado" e que outros erros foram cometidos nos últimos anos. "São cinco ou seis anos de desacertos", lamentou.O presidente da Abipecs está hoje no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde parlamentares reúnem-se com representantes da cadeia produtiva da carne bovina para discutir a criação de um projeto de lei que cria um novo sistema de rastreabilidade, compatível com a realidade brasileira. "Vamos acabar com a ingerência do Ministério da Agricultura, que se arvora em legislar e acaba aceitando regras impostas pela UE", disse o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que lidera as discussões sobre o assunto na Câmara.O presidente da Abipecs ressaltou que há três anos a UE fez um alerta ao Brasil, dizendo que poderia suspender as compras de carne bovina porque as regras firmadas não estavam sendo cumpridas. Segundo ele, depois da visita que os europeus fizeram ao Brasil no fim do ano passado, foi dada a "péssima chance" ao Brasil para solucionar seus problemas. Ele confirmou que o relatório enviado pela missão européia após essa visita indicou que "há muita coisa errada", e que as autoridades brasileiras não tinham capacidade de auditar as fazendas.ListaDe acordo com Pedro Camargo Netto, os europeus informaram que, em virtude da pouca capacidade de auditagem do governo brasileiro, era preciso entregar uma lista com apenas cerca de 3% de um grupo de 10 mil fazendas autorizadas a vender carne bovina à UE. "Essa era nossa chance de começar de novo. Uma reconstrução. Uma vida nova", disse Camargo Netto. "No entanto, em vez de mandar um lista ''auditável'', o governo preferiu entregar uma lista que continha falhas", comentou.Pouco dias depois, o governo recuou e disse que apresentaria uma lista menor. "Eles nos deram a enésima chance. Espero que a lista que será entregue na próxima segunda-feira esteja certa. O governo não pode entregar uma lista e depois voltar atrás. O Ministério da Agricultura tem errado muito", disse ele.Camargo Netto acrescentou que os europeus querem negociar com o Brasil, pois aceitaram que o País elaborasse uma nova lista de fazendas e se dispuseram a mandar uma nova missão, que chega na semana que vem. Ele ressaltou que nos últimos tempos evitou falar sobre o sistema de rastreabilidade adotado pelo Brasil porque dirige uma associação que representa exportadores de carne suína, o que poderia provocar conflitos de interesse. "Mas eu sou pecuarista e temo perder o mercado (UE) que absorve 25% das exportações brasileiras", concluiu.

FABÍOLA SALVADOR, Agencia Estado

21 de fevereiro de 2008 | 13h24

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