Abit afirma que câmbio anula defesas do setor têxtil

O diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, disse nesta terça-feira que as taxas de câmbio adotadas por países concorrentes do Brasil anulam as barreiras de defesa comercial autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). De acordo com ele, como consequência, cada vez mais a indústria nacional perde mercado para as empresas internacionais. O ex-ministro citou que o setor, que mesmo sendo a quinta maior indústria têxtil do mundo, não consegue se manter competitivo frente aos produtos importados.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 15h47

"Estamos vendo uma destruição das barreiras de defesa comercial legítimas", afirmou, durante palestra no seminário "Os Impactos do Câmbio sobre o Comércio Internacional", na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Neste cenário, o dirigente elogiou a postura do Brasil em levar a questão do câmbio para discussão na OMC.

Pimentel citou que a balança comercial do setor teve o último superávit em 2005. Desde então, só registra déficit. Em 2011, houve déficit de US$ 4,7 bilhões e a previsão para 2012 é de déficit de US$ 5,6 bilhões. O dirigente disse que a taxa de R$ 2/dólar para o câmbio ainda não é confortável. Para isso, afirmou, ela teria que chegar a um patamar entre R$ 2,60 e R$ 2,70. "A taxa atual não é confortável, e, sim, melhor que o R$ 1,60 verificado a alguns meses."

O dirigente disse que os benefícios fiscais concedidos no Plano Brasil Maior para a indústria nacional - entre eles a desoneração da folha de pagamentos em troca de um porcentual de 1% a 2% sobre o faturamento - estão na direção certa, mas são insuficientes para compensar a perda de competitividade dos empresários brasileiros por conta de câmbio, infraestrutura precária e alta carga tributária. "Foi uma medida importante, mas a encrenca é maior que isso", disse.

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