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Abitrigo não acredita em redução de impostos sobre farinha

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Francisco Samuel Hosken, disse nesta sexta-feira, 27, que não acredita que o governo argentino vá regulamentar a resolução 803, que permite a exportação de um volume de até 1,5 milhão de toneladas de farinha com isenção de imposto.Segundo Hosken, para controlar a inflação interna, o governo argentino vem há algum tempo tentando segurar as vendas de trigo em grão. A Argentina é um dos principais exportadores de trigo do mundo e até a próxima safra americana, em meados do ano que vem, será o grande supridor do cereal no Hemisfério Sul.Em troca da exportação da matéria-prima, o governo Nestor Kirchner tenta estimular as vendas externas de farinha de trigo, produto já beneficiado. Mas para a Abitrigo, a resolução não é clara sobre como se daria a isenção de impostos.As primeiras informações são de que a tributação continuaria sobre a matéria-prima e a isenção recairia sobre os outros itens do custo de produção (mão-de-obra, energia, insumos etc). Como 70% do custo da farinha referem-se à aquisição do trigo, a isenção incidiria sobre os demais 30%; ou seja, como o trigo em grão é taxado em 20% na exportação, a farinha exportada recolheria os 14% correspondentes à matéria-prima. No entanto, hoje, farinha e pré-mistura recolhem apenas 10% na exportação. "O cálculo não fecha e por isso o Ministério da Agricultura da Argentina não tem como regulamentar essa resolução", diz Hosken.A analista do Instituto de Estudos Econômicos da Sociedade Rural Argentina, Alícia Urricariet, em entrevista à correspondente em Buenos Aires Marina Guimarães, também considerou "vaga" a resolução do governo do país e indicou que ela não teria "maiores efeitos a não ser acalmar interesses do setor", ou seja a indústria local.Hosken diz que o governo argentino também enfrenta reclamações dos triticultores, que têm recebido no mercado doméstico US$ 125 a tonelada, enquanto os exportadores vendem trigo para outros países a US$ 200 a tonelada. Segundo o executivo, especula-se no mercado que a Argentina daria um subsídio de US$ 15 a tonelada ao produtor na forma de "imposto extra" a ser pago pelo exportador e, conseqüentemente, repassado ao importador."É por isso que descartamos a possibilidade de queda no preço da farinha de trigo no mercado interno", disse Hosken, ressaltando que os preços do trigo em grão estão em alta por causa da menor oferta mundial. Ele considerou "uma irresponsabilidade" as notícias de que os preços da farinha poderiam cair "até 50%". "Criou um tumulto. Há padeiros dizendo que não vão comprar o produto nacional para esperar o produto argentino sem imposto."O presidente da Abitrigo disse que persiste a briga do setor moageiro contra "a desigualdade competitiva" frente ao produto processado importado da Argentina. "Enquanto compramos trigo em grão, com 20% de imposto, para transformá-lo em farinha no Brasil, os argentinos mandam para cá o produto processado pagando 10% de imposto", reclamou. Segundo ele, nesta tarde a Abitrigo reapresentou ao governo federal pedido para que a farinha argentina seja taxada em 10% na entrada no Brasil. "Não queremos proteção, apenas igualdade de condições para competir", disse.A indústria brasileira deve fechar 2006 com importações ao redor de 7 milhões de toneladas de trigo em grão. Mais de 95% desse volume é fornecido pela Argentina. Até setembro, as importações de pré-mistura e farinha de trigo somaram 232,8 mil toneladas.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2006 | 19h26

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