Abrace: estiagem pode provocar racionamento em 2008

A diretora-executiva da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Patrícia Arce, afirmou que as empresas do setor estão preocupadas com a estiagem que faz com que em janeiro o nível de chuvas tenha atingido o patamar mais baixo em 76 anos. "Com as dificuldades registradas pelas chuvas, os problemas de abastecimento de energia que o País poderia registrar em 2009 agora podem ocorrer já em 2008", comentou.De acordo com Patrícia, a Abrace tem a expectativa de que as chuvas deverão ocorrer a partir da segunda quinzena de janeiro. Segundo ela, a situação da queda do nível dos reservatórios do Sudeste e do Nordeste é tão séria que se as chuvas surgirem em termos normais a partir da próxima semana somente no final de março a situação ficaria normalizada. Na avaliação da executiva, a estiagem provocou efeitos imediatos no mercado à vista de energia elétrica, pois o preço do megawatt/hora, que atingiu a média de R$ 100,00 em 2007, subiu no começo do ano para R$ 240,00 e chegou esta semana a marca de R$ 475,00."Se ocorrerem problemas de desabastecimento de água nos reservatórios este ano, provocados por dificuldades relacionadas às chuvas, é possível que o governo adote algum tipo de racionamento de energia", comentou Patrícia Arce. "Neste contexto, eventualmente pode ocorrer um direcionamento do gás natural que seria utilizado por indústrias para o consumo da população. Se isso ocorrer, esperamos que a Petrobras possa vender óleo combustível às empresas que são grandes consumidoras de energia pelo mesmo preço do gás natural, que hoje é mais barato do que o óleo", destacou.OfertaAlém da falta de chuvas, a diretora-executiva da Abrace afirma que há problemas de oferta de energia no Brasil. Ela ressaltou que de 2004 a 2007 ocorreu uma queda ao redor de quatro mil megawatts, provocadas por alguns fatores, como a redução do fornecimento de mil megawatts pela Argentina, diminuição do envio de eletricidade para o País pela hidrelétrica de Itaipu devido ao aumento da demanda de energia pelo Paraguai e queda da atividade das usinas térmicas a gás natural, provocada pela falta do produto causada em parte por problemas com a importação do gás da Bolívia. "Esperamos que as chuvas se normalizem em breve, pois a atual situação causa apreensão", comentou.

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