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Abrace: preço do gás deve subir 10% em janeiro

O preço do gás natural no País deverá ser reajustado em 10% em janeiro de 2008, dentro da previsão de repasse trimestral do custo da cesta internacional de óleos em que o cálculo do valor do combustível se baseia. A projeção foi feita hoje pelo coordenador de energia térmica da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Clóvis Correia Júnior, em evento do setor no Rio.Segundo ele, este cálculo foi feito apenas com base na elevação do preço do barril de petróleo e não considera os novos tipos de contratos flexível e firme que a Petrobras vem apresentando para as distribuidoras. Se confirmado o porcentual, o aumento total acumulado no preço do gás natural nacional entre maio deste ano e janeiro de 2008 terá sido de 45%. De acordo com o técnico da Abrace, o reajuste ainda não está perto de representar o total de aumento de custos sobre o combustível que ainda está por ser repassado. Cálculos feitos pela entidade estimam que, com as mudanças nos contratos propostas pela Petrobras, deva haver ainda aumento de mais 30% sobre o valor atual. Além disso, ele lembra que a fórmula de cálculo dos reajustes trimestrais prevê que o repasse considere 50% do seu porcentual em cima do preço do barril de petróleo brent de Londres dos três últimos meses antes do reajuste, e outros 50% sejam referentes à média dos três meses anteriores a este período. "Ou seja, a atual elevação do preço do barril, acima dos US$ 100, só deverá ser sentida em 100% seis meses depois do próximo reajuste, que acontece em janeiro", disse o técnico da Abrace."Já podemos projetar que se o preço do brent cair a US$ 70, facilmente o gás natural deixará de ser competitivo, perdendo e muito para o óleo combustível. Com isso, as empresas que puderem passarão novamente a usar este derivado de petróleo, mas as indústrias químicas, altamente dependente do gás, não poderão fazer esta conversão na mesma proporção", comentou.InvestimentosO representante da Abrace também criticou a demora da Petrobras em fazer investimentos de peso para aumentar a produção interna do combustível. Ele lembra que entre 2000 e 2007, a produção interna do gás natural aumentou em apenas 6% ao ano. Pelos planos de negócios da estatal, a previsão é de que este acréscimo no ritmo da produção nacional seja de 22% ao ano nos próximos cinco anos. "Se tivesse aproveitado o período em que os custos não estavam tão elevados quanto hoje, teríamos muito melhores condições de atender à crescente demanda atual", disse, lembrando que já para 2008, há necessidade de uma oferta adicional de 6,9 milhões de metros cúbicos diários para atender a demanda com térmicas, pelo contrato estabelecido com a Agência Nacional de Energia Elétrica. "Se este ano, a Petrobras já teve dificuldades para garantir o suprimento previsto, como deverá ser no ano que vem?", indagou.

KELLY LIMA, Agencia Estado

21 de novembro de 2007 | 17h08

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