Abrace quer ampliar energia destinada ao mercado livre

Preocupada com o preço da energia que a usina de Santo Antônio venderá para o mercado livre, a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) vai propor ao governo que, no leilão da hidrelétrica de Jirau (que, com Santo Antônio, formará o Complexo Hidrelétrico do Madeira), o porcentual da energia destinada ao mercado livre - formado por grandes indústrias ou shoppings que negociam sua energia diretamente com os geradores - suba para 50%. No leilão de Santo Antônio, realizado ontem, o governo estabeleceu que, no máximo, 30% da energia poderia ser destinada a esse segmento. O leilão de Jirau (3.300 megawatts) deve ser realizado no início de maio do ano que vem."Vamos propor que, em Jirau, 50% da energia possa ser vendida ao mercado livre. Seria uma maneira de evitar que se repetisse o que aconteceu no leilão de Santo Antônio, no qual os consumidores livres acabaram subsidiando os cativos", disse à Agência Estado o vice-presidente da Abrace, Eduardo Spalding.O consórcio liderado pela Odebrecht e por Furnas arrematou ontem a concessão da usina de Santo Antônio (3.150 MW) ao propor uma tarifa de R$ 78,90 por megawatt/hora (MWh) para a energia que será cobrada dos chamados consumidores cativos - que são os que compram energia das distribuidoras, como é o caso das residências. No setor elétrico, comenta-se que o consórcio vencedor vai compensar o deságio de 35% aplicado às tarifas do mercado regulado vendendo energia mais cara ao mercado livre. As estimativas entre os agentes do setor é de que a energia de Santo Antônio deverá custar algo entre R$ 150,00 e R$ 160,00 por MWh para os consumidores livres.Para Spalding, se, em Jirau, o governo destinar metade da energia aos grandes consumidores, o consórcio que vencer o leilão poderá cobrar uma tarifa menor do mercado livre, já que teria mais energia para oferecer a esse segmento. "Como o critério para vencer o leilão é o de quem vende a uma tarifa mais baixa para o mercado regulado, é natural que os interessados na usina reduzam esse preço o quanto puderem. Mas, se em Jirau o porcentual para o mercado livre ficar em 50% (em vez dos 30% de Santo Antônio), o concessionário de Jirau terá mais energia para compensar (no mercado livre) o lance baixo que ele deu para o mercado cativo. Além disso, como ele poderia vender 50% da energia para o mercado cativo (em vez dos 70% de Santo Antônio), a parcela a ser compensada também seria menor. O porcentual de 50% é mais equilibrado", disse.

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