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Abrafrigo rebate supermercadistas sobre alta da carne

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), em nota distribuída hoje, rebateu a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que disse que a culpa da alta dos valores da carne bovina vendida ao consumidor é da indústria. "O verdadeiro vilão da inflação está nas margens dos supermercados que não param de crescer e que estão chegando a níveis absurdos", disse o presidente executivo da entidade, Péricles Salazar, no comunicado.

SUZANA INHESTA, Agencia Estado

17 de fevereiro de 2011 | 16h52

Segundo ele, é uma "injustiça muito grande" considerar a carne ou até o feijão (que tiveram altas de 34,9% e 51,6%, respectivamente, em 2010, segundo a Abras) os "vilões" da inflação. "Justamente por receberem preços muito baixos, os produtores tiveram de abater suas matrizes ou abandonar a atividade, alugando suas terras para cana ou reflorestamentos, o que levou à escassez atual. Mas quem fica com a maior parte da renda obtida a partir dos preços altos é o setor de supermercados", afirmou Salazar.

Ele citou um estudo da Scot Consultoria, realizado entre os dias 10 e 14 de janeiro de 2011, segundo o qual as margens das grandes redes de supermercados do mercado paulista eram de 123% para cortes como o lagarto; de 104% para o patinho; de 137% no filé mignon e de 95% no coxão mole. "É um setor altamente concentrado, com quatro ou cinco grandes redes dominando o mercado e elas são responsáveis por 70% da carne comercializada no Brasil", completou o executivo.

O presidente da Abrafrigo ainda declarou que, junto com a queda no número de cabeças do rebanho bovino brasileiro nos últimos anos, o aumento da renda e do Produto Interno Bruto (PIB) que elevaram o consumo também contribuiu para a elevação dos preços. "O problema é que os supermercados não se sensibilizaram para o fato de que o aumento de preços no nível de produção significava apenas uma saída de uma situação difícil para os produtores", declarou Salazar.

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