Abrasca: empresas brasileiras estão otimistas para 2008

Recentes turbulências na economia dos Estados Unidos podem alterar algumas expectativas

Alaor Barbosa, da Agência Estado, Agencia Estado

24 de janeiro de 2008 | 17h20

Os membros da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) estão francamente otimistas quanto às perspectivas para a economia brasileira em 2008, conforme pesquisa realizada pela entidade no início do ano e divulgada hoje. O presidente da Abrasca, Antônio Duarte Carvalho de Castro, admite que as recentes turbulências na economia dos Estados Unidos podem alterar algumas expectativas, mas ele é de opinião que o quadro otimista ainda prevalece. "O que mais me impressionou foram as respostas a respeito do aumento nos investimentos e no emprego", comentou Castro, em entrevista hoje. A Abrasca congrega cerca de 180 empresas com ações negociadas nas bolsas de valores.Pelos dados da Abrasca, 72% dos entrevistados estão prevendo aumento nos investimentos este ano, enquanto 26% vêem estabilidade e apenas 2% informaram que pretendem reduzir a capacidade instalada. No segundo semestre do ano passado o otimismo era ainda maior, com 87% dos entrevistados prevendo expansão dos investimentos, 13% apostando em estabilidade e nenhuma empresa estimando redução nas aplicações. "Esse é um sinalizador muito forte, pois as empresas investem quando estão vislumbrando um quadro mais favorável à frente", complementou.Outro indicador que impressionou Castro, que é também diretor da Souza Cruz, foi a previsão dos entrevistados quanto ao aumento na demanda interna e no nível de emprego. Segundo a pesquisa da Abrasca, 82% dos entrevistados estão prevendo aumento no mercado interno, 18% estão trabalhando com estabilidade e nenhum pesquisado apontou para queda na demanda interna. Esse quadro é similar ao contabilizado no segundo semestre de 2007.No caso do emprego, 79% estão estimando melhoria este ano, 18% prevêem estabilidade e 3% visualizam queda no emprego. "Muitas empresas atenderam ao aumento da demanda nos últimos anos com melhoria na produtividade, com pouco reflexo no emprego. Agora, para atender a demanda maior estão tendo de contratar mais, como mostra a pesquisa", complementou o presidente da Abrasca.Juros e dólarEntre os pontos negativos, a pesquisa da Abrasca captou um quadro menos favorável na inflação e nos juros reais. No segundo semestre de 2007, 87% dos associados da Abrasca trabalhavam com perspectivas de redução dos juros (13% viam estabilidade nas taxas). No novo levantamento, 72% estão prevendo estabilidade nas taxas, 5% estão prevendo alta e apenas 23% visualizam a possibilidade de queda. O câmbio, por sua vez, tende a ficar no mesmo patamar, mas a balança comercial será menos favorável, com redução no saldo comercial para 62% dos entrevistados (10% prevêem estabilidade e 28% ainda acreditam em expansão do saldo).BovespaOs associados da Abrasca acreditam ainda que a bolsa brasileira continuará em alta em 2008. Esse é o sentimento de 72% dos entrevistados, enquanto 26% prevêem estabilidade e 2% estimam queda. O presidente da Abrasca admite que o número de novos lançamentos (IPOs) este ano deve ser menor, mas ele elogiou o esforço da Bovespa em desenvolver o Bovespa Mais, que vai facilitar a negociação de empresas de menor porte. "A grande incógnita é se o investidor estrangeiro continuará comprando ações de empresas brasileiras no mesmo ritmo do observado no ano passado", comentou, lembrando que 75% das emissões de ações em 2007 foram absorvidas pelos investidores estrangeiros.

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