Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Abrir capital bloqueia corrupção, diz presidente da Caixa

Presidente da Caixa planeja listar quatro áreas do banco no mercado dos EUA e estima que operações devem levantar pelo menos R$ 15 bilhões

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 04h00

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, diz que a abertura de capital (IPOs) de quatro áreas do banco no mercado americano será uma “blindagem” do banco contra a corrupção. Com os IPOs, Guimarães diz que a Caixa e os seus dirigentes estarão “expostos” ao mercado, que fará suas cobranças.

Ele lembra que a lei americana Sarbanes-Oxley exige um nível de exposição dos executivos muito maior que no Brasil, que podem até ser presos. “A abertura de capital nos Estados Unidos é blindagem para o futuro e legado em termos de governança”, diz. “Quando você lista uma empresa nos EUA, o legado em termos de governança é outro, inclusive para os dirigentes, que podem ser presos, literalmente. Num nível muito mais pesado. A lei extremamente dura com os executivos”, avalia ele.

Ao Estado, Guimarães afirma que a expectativa de receita de R$ 15 bilhões com os IPOs das áreas de cartão, seguridade, loteria e gestão de ativos de terceiros (asset) “é o piso”. Segundo ele, esse valor pode aumentar a depender do porcentual de oferta de ações que será oferecido nas operações. O governo avalia uma oferta entre 15% e 30%. “Não quero falar um número mais alto para não dizer que R$ 1 bilhão para baixo teve problema. Esse número leva em conta uma abertura menor, de 15% a 20%”, explica.

Guimarães disse que a discussão de valor envolve uma decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário especial de Desestatização, Salim Mattar. “Podemos fazer uma oferta secundária”, antecipa. Segundo ele, se a Caixa abre capital direto e vende tudo, o preço acaba ficando baixo.

Com os recursos obtidos com os IPOs, a Caixa vai pagar os empréstimos obtidos com o Tesouro. O valor da dívida soma R$ 40 bilhões e a meta para devolução do dinheiro são quatro anos.

O cronograma é fazer os IPOs das áreas de seguridade e cartões no segundo semestre e de loterias e asset no primeiro semestre do ano de 2020.

Consignado

O banco vai lançar em abril um cartão de crédito consignado. A meta é ter 20 milhões de cartões nos próximos quatro anos. Atualmente, a Caixa tem 96 milhões de cartões de débito e apenas 5 milhões de cartão de crédito, marca que mostra a ineficiência do banco no segmento. Para Guimarães, também é inaceitável que o a instituição que tem 100 milhões de clientes não tenha sua própria marca de “maquininha” para o negócio de cartão. “O banco vai entrar nessa área e explorar o mercado de recebíveis.” Como o maior banco do Hemisfério Sul recebe zero em pré-pagamento. Vou ter um adquirente só e vou ter uma participação na receita de recebíveis”, informa.

Outra meta é atingir com microcrédito 40 milhões de brasileiros, que trabalham e estão longe do mercado formal e tomam dinheiro a um custo caro. “Pessoal de menor renda que tem poucos produtos e produtos muito caros é o nosso foco”, avisa.

Ele defende uma maior competição com a entrada dos bancos estrangeiros, principalmente nos empréstimos aos Estados. Hoje, a Caixa é a maior credora dos governos estaduais.

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