Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

'Acabar com o Mercosul não é a opção; precisa ser redesenhado'

Para a superintendente, da CNA, o País precisa voltar às negociações no âmbito multilateral,como as da OMC

Entrevista com

Alinne Betania Oliveira, superintendente da CNA

O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2014 | 02h03

BRASÍLIA - A crise financeira internacional, trazendo a reboque importações menores de países desenvolvidos e uma nova gama de acordos comerciais regionais, mudou a cabeça do agronegócio. Antes resistente a negociações mais amplas, o produtor brasileiro influenciava a posição do Brasil no exterior defendendo o fim dos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos. Hoje, não vê o apoio estatal a agricultores europeus e norte-americanos como óbice intransponível e defende maior diálogo com grandes economias para abrir mercados e criar relacionamento privilegiado. Leia os principais trechos da entrevista com Alinne Betania Oliveira, superintendente-adjunta de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura:

O Brasil privilegia o Mercosul, atualmente imerso em problemas. É preciso mudar a política comercial do País?

Acabar com o Mercosul não é uma opção, você precisa redesenhar como o Mercosul funciona para o País, não só a agenda como a estratégia. Uma revisão da importância, do nosso tratamento, seria um pilar da nossa estratégia comercial. A gente precisa voltar às negociações no âmbito da OMC, você não vai conseguir negociar barreiras não tarifárias e tarifárias em negociações bilaterais necessariamente. Para o setor agrícola, as negociações multilaterais são muito importantes porque os maiores ganhos viriam daí.

O Brasil sempre resistiu a subsídios agrícolas. O que mudou?

É claro que você sempre quer competir com os outros em igualdades de condições. O que houve no Brasil foi uma maturação do entendimento e do discurso. Você não precisa estar 100% de acordo com os parceiros para negociar. Um relacionamento maduro é quando você pode trazer para a mesa de negociações desacordos, aí conversa. Os subsídios, novas políticas agrícolas, a gente está observando, mas isso não significa que não são nossos amigos. Quando você negocia não é apenas acesso ao seu mercado, mas maior entendimento, transparência, canais privilegiados de solução de controvérsias.

Se o setor privado brasileiro quer, o governo diz querer e os estrangeiros também defendem acordo, onde estamos falhando?

Falta a priorização da política comercial dentro do governo. Às vezes a gente quer fazer várias coisas, não consegue e coloca em ordem de prioridade. Talvez o acordo não esteja na prioridade que deveria estar. Para a gente no setor privado é prioridade absoluta. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.