CHRIS HELGREN | REUTERS
CHRIS HELGREN | REUTERS

Acabou a dor de cabeça

Mercado de bebidas não alcoólicas ou com baixo teor de álcool ganha força à medida que o consumidor se preocupa mais com a própria saúde

The Economist, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 04h00

Bares e pubs não são lugares acolhedores para abstêmios. Passar horas tomando um suco ou um refrigerante atrás do outro é algo que se torna rapidamente monótono. Mas o setor de bebidas agora começa a mostrar mais simpatia pelos abstêmios. E muitas companhias hoje consideram as bebidas não alcoólicas “a maior oportunidade para o mercado”, diz Frank Lampen, que dirige o Distill Ventures, fundo que auxilia pequenos produtores com investimento e orientação e é apoiado pela gigante Diageo.

Um dos últimos investimentos desse fundo, por exemplo, foi na Sedlip, companhia britânica que produz destilados sem álcool com sabores extraídos de extratos de plantas, lançados no ano passado nos EUA. A cerveja com baixo teor alcoólico, antes desprezada, também está na moda. Com os avanços tecnológicos o álcool pode ser filtrado da cerveja sem prejuízo do seu sabor; outras cervejarias utilizam um tipo de levedura que produz menos álcool. Nos últimos anos, surgiram várias cervejarias que produzem a bebida sem álcool, como a Nirvana Brewey, em Londres, ou a WellBeing Brewing Company, do Missouri, nos EUA.

Mesmo as grandes fabricantes estão aderindo à tendência. A AB InBev lançou a cerveja sem álcool Budweiser Prohibition em 2016 e a Heineken também lançou a sua cerveja 0.0. A AB InBev estima que sua cerveja com baixo teor de álcool representará um quinto das suas vendas em 2025. De acordo com a Euromonitor, empresa de pesquisa de mercado, em 2016 as cervejas com menos de 0,5% de álcool representavam 2% das vendas globais.

Todo o alvoroço em torno das bebidas não alcoólicas reflete uma percepção de que o mercado ignorou esse movimento que vem se expandindo para além das mulheres grávidas e motoristas. O consumo de álcool estagnou ou mesmo caiu nas grandes economias ocidentais. Beber durante o almoço não está mais na moda. Beber de modo consciente, sim.

Os jovens estão bebendo menos que seus pais. Menos da metade dos indivíduos na faixa dos 16 aos 24 anos entrevistados em um estudo do Departamento Nacional de Estatísticas da Grã-Bretanha de 2016 havia tomado apenas um drinque na semana anterior, em comparação com os quase dois terços dos incluídos na faixa dos 45 aos 66 anos. E ao contrário de mercados já saturados, como os de gim e uísque, nesse caso ainda há espaço para inovação. Os copos dos que não bebem podem em breve estar transbordando. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

© 2018 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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