Ação contra inflação pode ajudar mercado externo, diz BNDES

Segundo Luciano Coutinho, medidas preparadas pelo governo podem reduzir pressão também no exterior

Adriana Chiarini e Alberto Komatsu, da Agência Estado,

17 de junho de 2008 | 19h10

As medidas que o governo está preparando para "breve" com o objetivo de reduzir as pressões inflacionárias sobre alimentos podem ajudar não só no mercado doméstico, mas também repercutir no exterior, informou nesta terça-feira, 17, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação   "O presidente tem convocado o governo para a promoção da oferta de alimentos e deverá em breve anunciar medidas nessa direção para que o Brasil ajude a mitigar pressões não só no mercado doméstico mas até em certos casos no mercado internacional de preços de produtos agrícolas", disse Coutinho. Ele afirmou que o governo está "muito preocupado com a inflação" e não limitou o interesse do governo na alta de preços de alimentos, que citou apenas como "exemplo" do tipo de pressão que está no foco das atenções do governo. Para Coutinho, em algum momento, não previsto, a pressão sobre os preços das matérias-primas (commodities) vai se reduzir e a atual alta de inflação vai passar. "Não é tolerável ad eternum (eternamente), pelo mundo, a continuação interminável da alta de algumas commodities como petróleo", disse o presidente do BNDES. "Eventualmente, algum ajuste de contas desse processo tem que vir, mas por enquanto está em curso", completou. Para ele e para o sócio da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quando a atual alta de inflação passar, em prazo não determinado,o Brasil terá condições de ter taxas de juro real (descontada a inflação) em torno de 4% a 5% ao ano, como o México teve antes da pressão mundial dos preços. Fraga tratou a inflação atual como "conjuntural" e foi o primeiro a dizer durante seminário sobre financiamento de longo prazo promovido pelo BNDES que as taxas de juro real do Brasil podem, "depois da alta atual de inflação", baixar como as do México, para em torno de 4% ao ano. Coutinho concordou, ressalvando não saber quanto tempo vai durar a pressão internacional de preços de commodities. "Quero compartilhar essa visão de que não há razão para que a taxa de juros real brasileira no médio e no longo prazo não venha a convergir para o padrão mexicano de 4% a 5%", disse Coutinho.

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