'Ação da família X traz segurança'

Na página 50 da elogiosa autobiografia O X da Questão, publicada há dois anos, Eike Batista alerta os leitores que uma trajetória empreendedora vitoriosa não inclui apenas sucessos. "A única coisa certa no mundo dos negócios é que você vai errar", escreve o megaempresário, que lista, nos capítulos seguintes, fracassos em vários empreendimentos implantados por ele no Brasil e no estrangeiro (Rússia, Grécia e Estados Unidos).

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h08

Quase uma autoajuda empresarial, o livro (de 159 páginas, editado pela Primeira Pessoa)deixa no leitor a impressão de que Eike não seguiu seus ensinamentos. No capítulo 18, que trata de um suposto estresse que "separa os homens dos meninos", ele sustenta que o empreendedor deve estar preparado para "uma tempestade ou outra que sempre virá". Para, no capítulo seguinte, dizer-se feliz por ter identificado, nos insucessos, "o momento certo de parar".

A comparação do momento empresarial que vive com os procedimentos prescritos na obra evidencia que, no caso da petroleira OGX, Eike não percebeu a tempestade nem reconheceu a hora de parar. Ou se percebeu, não parou.

Após relatar os motivos que o levaram a investir no setor de petróleo (experiência empresarial, capital, conhecimento, estudos), ele diz: "Tudo isso permite antever um dos maiores êxitos que se tem notícia no mundo dos negócios. (...) A OGX tem no seu DNA algo especial que herdou de mim: a vontade de encantar e surpreender".

A surpresa realmente aconteceu. Os investidores, "que compreenderam que estavam diante de oportunidade única" (página 122), estão boquiabertos e, imagina-se, bastante decepcionados.

Papel do líder. No capitulo 16, O Erro como Professor, Eike preconiza a necessidade de o líder empresarial estar à frente dos projetos que não dão certo.

"É muito importante quando o empreendedor se assume como o responsável por um fracasso." Isso, no caso da débâcle do grupo X, até agora não aconteceu. Talvez porque o empresário não tenha em momento algum aventado a possibilidade de seus projetos multifacetados não darem certo.

Esse trecho, na página 146, dá uma pista da falta de discernimento de Eike: "Quando alguém adquire o papel de uma companhia da família X, sabe que vai encontrar ali algumas coisas que proporcionarão segurança".

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