Ação da Petrobrás e piora externa fazem Bolsa ceder quase 3%

Cenário:

ANA LUÍSA WESTPHALEN , ALESSANDRA TARABORELLI , O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

Se a Petrobrás foi a responsável por dar força ao Ibovespa nos últimos dias, ontem a companhia exerceu o papel oposto, ao cair mais de 3% e fazer o principal índice da Bolsa aprofundar as perdas e terminar na mínima do dia. O Ibovespa permaneceu no negativo durante praticamente toda a sessão, influenciado pelo aumento das preocupações com o cenário internacional. Indicadores negativos vindos de China, Europa e Estados Unidos fizeram os mercados lá fora fecharem no vermelho de maneira generalizada. A Bovespa encerrou em queda de 2,91%, aos 55.505,17 pontos, perdendo 1.661,38 pontos em um dia. No mês, o índice ainda acumula ganho de 1,86%, mas, no ano, voltou a registrar perda, agora de 2,20%. Das 68 ações que compõem o índice, apenas seis subiram.

Mas a influência negativa maior ficou mesmo com os papéis da Petrobrás. A ação ON da petroleira cedeu 3,57%, enquanto a PN recuou 3,17%. A explicação para esse comportamento das ações teve como base a análise de que a recente queda do petróleo no mercado internacional - já negociado abaixo de US$ 80,00 por barril em Nova York - faz perder o sentido de um possível reajuste dos combustíveis no curto prazo.

No mercado de câmbio, a série de indicadores positivos da economia doméstica, que abrangeu inflação e renda, foi incapaz de se sobrepor a uma lista ainda maior de dados negativos surgidos no âmbito internacional. A atividade manufatureira na China seguiu perdendo força, e o mesmo ocorreu nos Estados Unidos. Além disso, a Alemanha, que vinha sustentando a frágil economia europeia, dá sinais de que começa a sentir os efeitos da crise. A busca por segurança fez o dólar ter alta global. No mercado de câmbio doméstico, a valorização da moeda dos EUA foi de 0,88% na cotação à vista de balcão, que terminou em R$ 2,0530.

Nos juros futuros, o resultado abaixo do previsto do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ajudou a acelerar o movimento de queda das taxas de prazo mais longo. Esse recuo teve influência ainda do exterior ruim e da desaceleração na variação dos preços apontada pela prévia da inflação oficial de junho, que ficou em 0,18%, ante 0,51% em maio. Os contratos de juros mais curtos, porém, moveram-se ao redor da estabilidade, uma vez que os próximos cortes da Selic já estão, em grande medida, incorporados nos preços. O contrato para janeiro de 2017 fechou em 9,51% ontem, de 9,61% na quarta-feira.

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