Ação da PT dispara com notícia de interesse de Slim

Jornal português noticiou que bilionário mexicano iria investir na empresa para barrar investida da Telefónica, mas Slim negou

, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

CIDADE DO MÉXICO

A notícia de que o bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel, poderia comprar uma participação na Portugal Telecom (PT), para combater a proposta da Telefónica pela Vivo, tornou a empresa mais cara. Os papéis da PT subiram 8,2%, para 8,41, fazendo com que o valor da operadora portuguesa chegasse a 7,5 bilhões.

Na quarta-feira, Santiago Valbuena, diretor financeiro da Telefónica, havia dito que, se sua proposta de 5,7 bilhões por 50% que os portugueses têm na Vivo não tivesse sucesso, o grupo espanhol poderia fazer uma oferta hostil pela Portugal Telecom.

Ontem, o jornal português Diário Económico noticiou que o bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel, poderia comprar uma fatia da PT, para combater a investida da Telefónica. Mais tarde, um porta-voz de Slim negou a informação.

Em 2007, Slim comprou uma participação na operadora portuguesa para evitar que ela fosse comprada pela Sonaecom, que planejava vender a Vivo para a Telefónica. A maior operadora celular do Brasil pertence a uma holding, chamada Brasilcel, em que portugueses e espanhóis dividem o controle em partes iguais.

Sem citar fontes, o jornal Diário Económico publicou que Slim estava mantendo contato com o Banco Espírito Santo, um dos principais acionistas da Portugal Telecom, sobre como bloquear a oferta da Telefónica pela participação da PT na Vivo, e que mantinha uma equipe em Lisboa para preparar a operação.

Slim negou conversas com acionistas e com a diretoria da PT para entrar na empresa. "Nós não estamos conversando com ninguém. Não existem conversas com a Portugal Telecom. Não existe nenhum interesse em assumir uma participação relevante na empresa", disse Arturo Elias Ayub, porta-voz de Slim. Ayub afirmou ainda que Slim não está tentando bloquear o acordo da Telefónica.

A proposta da Telefónica pela fatia dos portugueses na Vivo foi rejeitada, por unanimidade, pelo conselho de administração da PT, no começo do mês. Os espanhóis querem unir a Vivo à Telesp, sua operadora fixa de São Paulo, para obter sinergias de 2,8 bilhões. A PT considera a Vivo um ativo estratégico para a empresa.

Slim e a espanhola Telefónica são arquirrivais na América Latina, onde competem diretamente em telefonia fixa e móvel na maioria dos países. A América Móvil, controlada por Slim, é a maior operadora de telefonia celular da região. No final de março, a empresa tinha pouco mais de 206 milhões de clientes de telefonia móvel em 17 países da América, incluindo a brasileira Claro. Slim também controla a maior empresa de telefonia fixa do México, a Telmex, dona da Embratel.

Barreira. A ameaça da Telefónica de apresentar uma oferta hostil pela PT deve enfrentar barreiras políticas. O primeiro-ministro português, José Sócrates, destacou ontem que o governo tem uma "golden share" (ação com direitos especiais) na Brasil Telecom. Essa ação permitiria vetar a venda da companhia. "Nós queremos uma PT grande, uma PT com escala", disse Sócrates, em São Paulo. "Para Portugal, a PT é uma empresa estratégica. É por isso, aliás, que temos uma "golden share". A questão da "golden share" existe para ser utilizada se for necessário. Se for necessário, utiliza-se."

Os espanhóis contam com o fim dessa "golden share". Em 2009, o Tribunal Europeu de Justiça considerou, numa decisão preliminar, que a "golden share" do governo português na PT desrespeita as leis concorrenciais da União Europeia. A decisão final deve sair este ano.

PARA ENTENDER

PT e Telefónica visitam investidores

O presidente da PT, Zeinal Bava, e o diretor financeiro da Telefónica, Santiago Valbuena, estão em roadshow para convencer os acionistas da operadora portuguesa. Valbuena quer que os investidores convoquem uma assembleia de acionistas para avaliar sua proposta pela Vivo. Bava apresenta justificativas para a decisão unânime do conselho de administração de rejeitar a oferta dos espanhóis.

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