Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Ação de minoritários nos EUA visa alterar gestão da Oi

Segundo advogado da Associação dos Acionistas Minoritário (AIDIM), 'abundam' os exemplos de falta de governança na empresa

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 12h47

RIO DE JANEIRO - O advogado da Associação dos Acionistas Minoritário (AIDIM), André Almeida, disse neste sábado, 12, em entrevista ao Broadcast, que a decisão de ingressar com uma ação coletiva contra a Oi nos Estados Unidos visa discutir a governança da companhia independentemente do processo de Recuperação Judicial, que corre na justiça brasileira. Segundo ele, "abundam" os exemplos de falta de governança na empresa, a recuperação pode continuar, mas esses problemas precisam ser sanados.

"São duas jurisdições diferentes. A expectativa dos investidores é que a gestão da companhia seja alterada e melhore sua governança", disse o advogado, que também ingressou com uma proposta de acordo de leniência na Controladoria Geral da União (CGU). 

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Segundo ele, os acionistas representados pela AIDIM estarão presentes na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para essa segunda-feira, dia 14, embora alguns estejam com os direitos de voto cassados pela justiça.  Na AGE, será analisado o balanço da companhia de 2017. Um dos pontos principais em discussão é a baixa dos depósitos judiciais, que apresenta uma diferença de quase R$ 4 bilhões em relação ao ano anterior.

"Abundam casos de falta de governança na Oi. No caso da baixa dos depósitos judiciais, há parecer da auditoria externa alertando para a situação", afirma, frisando que as ações na justiça americana não visam interromper o processo de RJ. "Estamos utilizando todos os recursos possíveis para discutir a governança da companhia", completa.  

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De acordo com o minoritário e presidente da AIDIM, Aurélio Valporto, o grupo de acionistas que teve o direito de voto cassado por decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, onde corre a recuperação judicial da companhia, continua na mesma situação. Segundo ele, se a justiça não tivesse tomado essa decisão depois que o grupo realizou uma AGE paralela para tentar mudar a gestão da empresa, a Oi teria dificuldades para aprovar vários pontos da pauta.  

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"Não podemos esperar a moralização da Oi enquanto o Eurico for presidente", afirma, reforçando o ponto considerado essencial pelo advogado da AIDIM, a mudança na gestão.

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