Dida Sampaio/ Estadão - 21/1/2015
Dida Sampaio/ Estadão - 21/1/2015

Ação do TCU mira empréstimos da Caixa

Tribunal aceita pedido do Ministério Público para investigar se banco usou critério político para represar operações para a região Nordeste

Breno Pires, Adriana Fernandes e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 07h00

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma inspeção na Caixa para apurar se Estados e municípios do Nordeste foram discriminados na concessão de empréstimos e financiamentos pelo banco desde a posse do presidente Jair Bolsonaro.

A representação contra a Caixa foi elaborada pelo Ministério Público junto ao TCU, com base em reportagens publicadas pelo Estado mostrando que só 2,2% dos novos empréstimos concedidos de janeiro a julho deste ano foram para governadores e prefeitos nordestinos – R$ 89 milhões, de um total de R$ 4 bilhões. A região é governada, em sua maioria, por políticos de oposição a Bolsonaro.

A inspeção foi autorizada na segunda-feira, 2, pelo ministro relator do caso, Walton Alencar Rodrigues, após a equipe de auditores do tribunal apontar que as informações repassadas pela Caixa até o momento são insuficientes.

A unidade técnica vai demandar documentos e outras informações envolvendo as operações de crédito entre Caixa, Estados e municípios nos últimos anos, para então se posicionar sobre se houve irregularidade.

O caso está sob análise da Secretaria de Controle Externo do Sistema Financeiro Nacional e dos Fundos de Pensão, comandada por Rafael Jardim Cavalcante. O auditor já atuou em processos no tribunal ligados à Operação Lava Jato.

“A Caixa não apresentou informações acerca das operações de crédito que se encontravam pendentes de aprovação desde o início de 2019 que possibilitassem a verificação da veracidade ou não dos fatos narrados nessa representação”, registra o parecer da secretaria. O documento também questiona o argumento de que empréstimos a governadores e prefeitos do Nordeste tinham diminuído por uma questão sazonal. 

Em nota, a Caixa afirma que a inspeção “faz parte da rotina de trabalho do órgão de controle após o recebimento de uma denúncia”. O banco afirma ter prestado os esclarecimentos antes mesmo da sua autuação no processo. A vice-presidente de Governo, Tatiana Thomé de Oliveira, esteve no TCU para explicar conceitos de governança, quantidade e volume das operações de crédito da instituição. A Caixa informou que entregará os dados ao TCU no início do próximo ano, quando já vai ter os números consolidados de 2019. 

Repasses

Mesmo após a publicação de reportagem do Estado e uma subsequente corrida na Caixa para aprovar novas operações com prefeituras e governos do Nordeste, o saldo atual dos financiamentos e empréstimos no ano ainda coloca a região abaixo do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste e acima apenas da Região Norte.

Segundo a Caixa, foram firmadas 37 operações com prefeituras e governos nordestinos, o equivalente a R$ 778,8 milhões. Os valores representam 8,85% do total de R$ 8,8 bilhões em operações fechadas em 2019.

A região recordista é a Sudeste, com R$ 3 bilhões em 177 operações (34% do total). Em seguida, vêm Sul, com R$ 2,9 bilhões em 363 operações (33%); e Centro-Oeste, com R$ 1,4 bilhão em 51 operações (16%). A Região Norte teve o pior porcentual de repasses, 8,2% – foram R$ 725,8 milhões, em 13 operações.

Além desse procedimento do MP de Contas, há requerimentos dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania) e Rogério Carvalho (PT), ambos de Sergipe, cobrando auditoria. O de Vieira chegou ao tribunal em novembro.

Internamente na área econômica, a auditoria é vista como de extrema importância, principalmente, depois do fortalecimento da área do TCU que acompanha os bancos públicos federais. Essa área teve reforço em 2019 para fiscalizar a atuação dos bancos, inclusive a Caixa. O TCU deve ouvir nessa fase a área do Tesouro Nacional que acompanha os empréstimos de Estados e municípios com e sem garantia da União.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.