Ação do Tesouro busca acalmar os investidores

O valor de mercado dos títulos públicos federais vem oscilando excessivamente. Papéis com renda atrelada à inflação e com vencimento em até 5 anos perderam, neste ano, 0,54% do valor, até quarta-feira; e com vencimento acima de 5 anos, 13,7%, segundo os índices IMA-B, calculados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e considerados entre as melhores referências do mercado.

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2013 | 02h01

Para evitar que a volatilidade das cotações afete a credibilidade dos títulos públicos, o Tesouro promoveu, nesta semana, leilões de compra de papéis. Dispôs-se a comprar até 8 milhões de títulos. Havia comprado, de fato, 4,9 milhões de papéis até terça-feira. Ontem, fez novos leilões extraordinários e comprou R$ 68,4 milhões em LTNs vencíveis em 2017 e R$ 1,305 bilhão vencíveis em 2016.

Aparentemente, foi conseguido o objetivo de oferecer tranquilidade a gestores de carteiras que sofreram graves prejuízos, não apenas ao longo deste ano, mas nos últimos dias.

Mais afetadas foram as carteiras que aplicam a longo prazo, caso dos fundos de pensão. Em algumas entidades, as cotas se desvalorizaram neste ano. Numa hipótese extrema, isso poderia desestimular as aplicações em previdência privada, que destinam grande parte dos recursos aos títulos do governo, em especial aos corrigidos pela inflação.

Uma parte da explicação para a queda do valor de mercado dos títulos brasileiros está no aumento dos juros dos títulos públicos norte-americanos, que atraíram recursos de aplicadores globais. Os papéis americanos em circulação também perderam valor. Outra parte da explicação é o aumento da taxa básica de juros, no Brasil, que causou desvalorização dos títulos emitidos há mais tempo, com rendimentos menores. Na média, os Índices de Mercado Anbima (IMAs) perderam 3% do valor neste ano, 1,49% apenas neste mês e 0,65% num só dia (anteontem). Os leilões da semana contribuíram para atenuar os prejuízos.

A dívida pública federal em títulos é vultosa, de cerca de R$ 2 trilhões em junho, dos quais 40% em papéis prefixados e 34% em títulos corrigidos pela inflação. Se as oscilações cambiais causarem inflação, como se espera, os papéis prefixados poderão ser afetados, tornando sua colocação mais difícil.

A disposição do governo de oferecer uma porta de saída aos aplicadores parece ser o melhor caminho, no curto prazo. No médio e no longo prazos, o desafio é maior: recuperar a credibilidade abalada da política fiscal.

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