Ação estrangeira é alternativa para investir, mas opções são limitadas

Ação estrangeira é alternativa para investir, mas opções são limitadas

De olho nesse vazio, ex-executivo da XP vai lançar plataforma que facilitará aplicações no mercado externo

Anna Carolina Papp , O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 05h00

As alternativas do varejo para quem quer pôr o pé no mercado de ações negociadas no exterior ainda são limitadas. Muitos fundos com essa estratégia fazem exigências restritivas, como aportes iniciais, o que acaba inibindo o pequeno investidor. De olho nesse público, mais corretoras com foco em papéis lá de fora tentam aproximar o brasileiro desse mercado. 

A Avenue Securities, que começa a operar em novembro, promete deixar o investidor comprar e vender ativos de bolsas americanas sem ser preciso abrir conta lá fora ou fazer remessas internacionais. O foco da plataforma é o varejo – e não haverá valor mínimo para aportes. A empresa quer ser uma corretora americana para a América Latina, com interface em português e espanhol, via site ou aplicativo.


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Com a Avenue, Roberto Lee, ex-executivo da XP, tem a ambição de ampliar o acesso ao mercado externo. O investidor comprará diretamente mais de 3 mil ações e de 1 mil ETFs de renda fixa e variável. A empresa também terá um “braço” brasileiro para operar câmbio. Funcionará assim: o investidor transferirá o valor para a Avenue, que enviará o montante correspondente em dólar para a corretora, que vai cobrar um spread em torno de 2%. 

Isso é necessário porque as negociações serão em dólar. Para resgatar, o montante é convertido em reais e o dinheiro cai na conta bancária local do investidor. A Avenue enviará informes de rendimento e o valor deverá ser declarado como ganho no exterior, com IR de 15% e pagamento via carnê-leão.

Opções atuais. Hoje, há duas opções para quem tem interesse nesse tipo de investimento: os ETFs, fundos que replicam índices, e os recibos de ações de empresas estrangeiras ( BDRs). “Só compensa investir diretamente no exterior com patrimônio a partir de R$ 1 milhão”, avalia Michael Viriato, que é professor de finanças do Insper. Quem tem menos de R$ 1 milhão para investir só tem acesso a oito opções de papéis – os chamados BDRs patrocinados –, como os da Dufry e da Biotoscana. 

A alternativa mais viável, então, é adquirir um ETF com índice estrangeiro, como o S&P 500, que replica o desempenho das 500 empresas mais relevantes dos Estados Unidos. A cota do iShares S&P 500, por exemplo, está na faixa dos R$ 120, e o lote mínimo é de dez cotas. A alta desse investimento acumulada em um ano é de 46%.

Nesse caso, o investidor pode comprar seus ETFs “gringos” diretamente ou aplicar em robôs, que usam algoritmos para montar carteiras customizadas. A partir desta segunda-feira, 01, a Magnetis passará a alocar recursos no ETF VGT (Vanguard Information Technology), que replica o desempenho das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Apple, Google e Microsoft. As carteiras que têm posições em renda variável da fintech passarão automaticamente a possuir exposição em ações no exterior. Além do fundo de índice de tecnologia, o robô também alocará recursos em um ETF que replica o S&P 500.

As plataformas Warren, Vérios e Monetus também oferecem fundos que replicam índices estrangeiros.

Comprar papéis de outros países é uma boa alternativa para quem quer investir em empresas de tecnologia ou de entretenimento, segmentos que ainda têm pouca representatividade na Bolsa brasileira.

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Recibos. Atualmente, são negociados na Bolsa pouco mais de 100 recibos de ações de empresas estrangeiras, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Mas, para comprar a maioria deles – como os populares Google, Amazon e Coca-Cola – é preciso ser um investidor qualificado (ter ao menos R$ 1 milhão em aplicações). Quanto aos ETFs, a B3 oferece apenas duas opções do mesmo indicador, o S&P 500.

Quem quer investir em BDRs também acaba ficando exposto às flutuações do câmbio, pois os preços dos ativos em reais variam seguindo a cotação da moeda americana. Em períodos de alta volatilidade, como o que o País enfrenta atualmente, esse impacto é ainda maior. Desde o início do ano até o fim de setembro, o dólar negociado à vista subiu mais de 22%.

Viriato, do Insper, acredita que o apetite externo dos investidores deve crescer, mas é preciso cautela. “Diversificar não significa ganhar mais; não é só colocar em aplicações diferentes. Deve-se atentar para o melhor potencial de retorno e a menor correlação entre os ativos: como eles variam conjuntamente.

Ponte aérea. Faz um ano e meio que o ex-executivo da XP e fundador das corretoras WinTrade e Clear, Roberto Lee, vai e volta de Miami: uma semana lá, três aqui. Há quatro meses, porém, isso se inverteu: são três semanas lá e uma do lado de cá. A mudança para os Estados Unidos tem um propósito: lançar uma plataforma para tornar aplicações no exterior mais acessíveis aos investidores brasileiros, a Avenue Securities. 

“O mercado brasileiro ainda é muito pequeno. Tem um mundo lá fora ao qual só o cliente private tem acesso.” Para atrair clientes, ele vai apostar em conteúdo educacional. A empresa comprou uma produtora para veicular vídeos sobre o mercado americano e as principais empresas. Lee, que deixou a XP em 2017, também aposta em tecnologia para o novo negócio. Nas operações de remessa, a plataforma fará uso de Blockchain – rede usada pelas criptomoedas, como o bitcoin. 

A Avenue recebeu R$ 35 milhões de nomes de peso, como a Vectis Partners, de Paulo Lemann, Sérgio Campos, Patrick O’Grady e Alexandre Aoude, além de Carlos Ambrósio, da Claritas, e Christian Klotz, da Brasil Capital. A empresa está levantando mais R$ 10 milhões com dois novos investidores. / COLABOROU GABRIEL ROCA

 

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