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Aceleração dos preços já preocupa investidor externo

O maior temor é o de que a alta da inflação interrompa a trajetória de queda da taxa básica de juros

João Caminoto, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Embora concentrados no tenso noticiário em torno da volatilidade financeira internacional, investidores expostos a ativos brasileiros enfrentam uma crescente fonte adicional de incerteza: a trajetória da taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses.Até o fim de julho, antes do início da turbulência externa, muita gente apostava em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteria ao longo do segundo semestre o ritmo de cortes de 0,50 ponto porcentual na Selic. Em sua última reunião, em 18 de julho, o Copom, numa votação apertada, efetivou um corte de 0,50 ponto na taxa, para 11,50% ao ano.Mas, de lá para cá, o quadro mudou muito. As variações nos preços dos alimentos foram mais altas e persistentes do que o previsto, elevando a inflação ao consumidor. O IPCA-15 deste mês constatou também uma elevação dos preços dos serviços. Por fim, houve a desvalorização do real ante o dólar causada pela volatilidade externa, cujo final ninguém arrisca prever.Diante desse quadro, a alteração das projeções entres os agentes do mercado para a Selic foi rápida. A previsão do ritmo de cortes nos próximos meses migrou, na maioria dos casos, para a faixa do 0,25 ponto pOrcentual. Um número crescente de analistas acredita que no próximo encontro do Copom, nos dias 4 e 5 de setembro, uma pausa no relaxamento monetário será inevitável. O debate está crescendo.''''Sem dúvida, o risco de pressão inflacionária aumentou'''', disse o economista sênior do banco Dresdner Kleinwort, Nuno Camara. ''''Se houver uma maior alta no núcleo inflacionário ou nos preços dos serviços, uma pausa em outubro na queda de Selic é uma possibilidade concreta'''', observou.Camara, no entanto, mantém sua previsão de três cortes consecutivos de 0,25 pontos porcentuais nas três reuniões restantes do Copom em 2007. ''''Por enquanto, esse é nosso cenário base, pois a inflação permanece ancorada na meta inflacionária e a expectativa é de que o impacto da alta dos preços dos alimentos tende a se enfraquecer'''', disse.Ricardo Amorim e Roberto Padovani, economistas do banco WestLB, observaram que diferentes fatores parecem estar elevando a inflação: ''''Um hiato na produção mais estreito, o real mais fraco, choques na oferta e as expectativas ancoradas num nível mais alto'''' (pelo fato de a meta inflacionária de 2009 ter sido maior do que era prevista há dois meses).Esse cenário, segundo eles, vai limitar o espaço para cortes nas taxas. ''''Mas não deve forçar o BC a parar os cortes , como alguns participantes do mercado já parecem acreditar'''', afirmaram.Alfredo Coutino, analista da Moody''''s Economy.com, disse que, apesar do corte na Selic em julho, as condições monetárias continuam restritivas.''''Isso dá ao BC mais espaço para promover novos cortes nos juros para deixar a economia expandir com sua capacidade natural'''', afirmou. Mas, segundo ele, ''''diante da turbulência financeira externa, o BC poderá reduzir o ritmo das reduções ou mesmo declarar um pausa nos próximos meses''''.

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